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Sexta-feira, 17 de julho de 2026
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Eleições TV Doc 17/07/2026

Gleisi Hoffmann defende ações do Governo Lula e prega protagonismo do Estado no Senado

Pré-candidata do PT ao Senado defende Paraná como polo tecnológico de energia e pretende resgatar protagonismo do Estado com investimentos federais e propostas concretas

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Gleisi Hoffmann defende ações do Governo Lula e prega protagonismo do Estado no Senado

Em entrevista na Série Eleições 2026, ao jornalista Eduardo Farias, numa parceria entre o Doc.com e o Grupo aRede, a deputada federal e pré-candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann (PT), detalhou suas metas e visões estratégicas para o Paraná, defendendo que o debate eleitoral supere a polarização e foque em projetos palpáveis. A parlamentar criticou o atual apagão de representatividade do Estado na Câmara Federal e destacou a urgência de retomar uma voz forte que articule recursos e soluções estruturantes diretamente com o Governo Federal.

A pré-candidata apontou que uma de suas principais bandeiras será transformar o Paraná em um centro de desenvolvimento tecnológico voltado à infraestrutura energética e à saúde, integrando o potencial de gigantes como a Itaipu Binacional à inteligência das universidades públicas e institutos federais. Ao avaliar o cenário local, Gleisi ressaltou a importância estratégica de Ponta Grossa no escoamento agrícola e industrial, reforçando compromissos com melhorias no aeroporto municipal e no hub logístico da região.

Confira abaixo a entrevista em texto e vídeo:

EDUARDO FAARIAS: Como a senhora avalia o atual governo e a sua pré-candidatura ao Senado?

GLEISI HOFFMANN: Primeiro quero dizer que estou muito animada e que o Senado é um espaço muito relevante para um Estado. Nós só temos três senadores e o papel deles é articular as forças políticas, econômicas e sociais em favor do Estado. E, infelizmente, nos últimos tempos nós não temos visto isso. Nós estamos com forças muito apagadas no Senado; tirando o senador Flávio Arns, que tem uma pauta importante da educação especial, os outros senadores praticamente não existem nessa questão da articulação. Quando eu fui senadora, junto com o Requião, a gente tinha uma articulação do Estado. Depois, tive a oportunidade de assumir a Casa Civil com a Dilma, e nós fizemos grandes projetos de infraestrutura para o Estado, para trazer benefícios. Por exemplo, foram quase R$ 4 bilhões de investimentos em infraestrutura, em estradas, em concessões de aeroportos e portos. A gente ajudou também na área da saúde. E agora, com o governo do presidente Lula, também retomamos projetos e programas que foram importantes. Enquanto eu estava no ministério, nós ajudamos a estruturar o PAC, que é o Programa de Aceleração do Crescimento, que tem trazido muitos investimentos para o Paraná. Veja, aqui em Ponta Grossa — estou falando "aqui" porque nós estamos falando, mesmo de Brasília, com o pessoal de Ponta Grossa — são investimentos importantes que a gente tem. Nós estamos construindo uma escola em tempo integral em Ponta Grossa, com investimento de mais de R$ 11 milhões; duas unidades básicas de saúde; uma policlínica na Vila Raquel; duas creches; fizemos investimentos de mais de R$ 35 milhões no aeroporto, com o Fundo Nacional da Aviação Civil, além dos investimentos de Itaipu na saúde. Isso tudo é articulação de recursos do Governo Federal, através de um programa que beneficia as pessoas. Então, o Senado deveria ter este papel, esta articulação. Eu consigo fazer! Até porque tenho uma ponte com o Governo Federal; o presidente me convidou para ministra, e quando eu estava lá também fazia. Então, acho que a gente precisa ter essa concretude de trazer investimentos e fazer com que as coisas mudem no Estado.

EDUARDO FARIAS: Como a senhora enxerga o momento atual do Paraná em relação às eleições?

GLEISI HOFFMANN: O Paraná tem uma característica um pouco diferente. A população do Estado é meio arredia a essas coisas de polarização e de agressividade. O que eu acho em uma campanha ao Senado? A gente precisa ter protagonismo no plano federal, e o Paraná está sem esse protagonismo. Precisa ter uma voz forte, que realmente represente o Estado e articule as suas forças políticas. Então, ter posição política é da vida e da democracia. Eu tenho as minhas e defendo essas posições. As pessoas me conhecem, não engano ninguém, sabem o que eu penso. Agora, sobretudo, eu sou paranaense e, quando se trata do interesse do Estado, eu quero sentar e conversar, seja com quem for, para que a gente possa trazer avanços para o nosso Estado. E é esse o debate que eu quero fazer durante esse processo eleitoral. Eu não quero ficar fazendo só a discussão política; ela tem a sua importância, mas ela, como dizia a minha avó, "não enche barriga". Nós precisamos ter debates concretos. Eu quero discutir qual é a capacidade de nós trazermos investimentos para o Paraná. Qual é a proposta que esses outros candidatos têm em relação ao Estado? Porque eu tenho propostas muito claras. Para mim está muito claro, por exemplo, a vocação do Paraná em ser um polo de desenvolvimento tecnológico para o Brasil, principalmente na área de energia, porque nós temos a Itaipu Binacional, que é a maior usina hidrelétrica do país. Temos a Copel, que, infelizmente, foi privatizada, mas que é um celeiro de engenheiros de capacidade técnica. E hoje nós precisamos de avanço e tecnologia na área de energia para dar estabilidade ao sistema. Quem pode fazer isso? O Paraná. E por que nós podemos fazer? Além dessas duas grandes empresas, nós temos um celeiro também de inteligência nas nossas universidades. Quando a gente estava no governo, nós trouxemos para o Paraná investimentos grandes em universidades. O antigo CEFET foi transformado em UTFPR em 2005, no governo do presidente Lula, numa articulação que nós fizemos, em um projeto que já existia e não ia para a frente. Aí nós fizemos uma articulação e conseguimos transformar. Hoje a UTFPR tem 13 campi em todo o Estado. Ela é um bicho do Paraná; não existe em outro lugar uma universidade como a UTFPR. Nós temos os institutos federais, que, aliás, têm em Ponta Grossa e acabaram de ser contemplados também no PAC e com emendas parlamentares, uma articulação junto com o deputado Aliel, com mais de R$ 20 milhões de reais para aumentar o seu campus. Nós temos 26 IFES e mais 6 em construção. Temos a Universidade Federal, temos a UNILA, a Fronteira Sul, tudo que a gente articulou durante esses governos e trouxe para o Paraná. E também as universidades estaduais. Portanto, nós temos que unir essas inteligências. A gente já tem tecnologia na agricultura. Então, vamos ser um polo tecnológico para a infraestrutura energética do país que nós precisamos, e também para a saúde. Isso é muito importante; isso passa pela integração dessas universidades com essas empresas e com as forças produtivas do Estado. Então eu acho que esse é o debate que nós temos que fazer. Não é só a posição política, não é o ataque. É o debate concreto de como a gente faz com que se fortaleça ainda mais o Paraná e que ele vire um grande protagonista nacional.

EDUARDO FARIAS: Em relação à chapa com o Requião Filho, a qual a deputada deve vir a fazer parte, como a senhora avalia também essa disputa?

GLEISI HOFFMANN: Olha, eu vejo positivo também. O Requião Filho está em segundo lugar nas pesquisas, vem mantendo-se, consolidando-se e crescendo, e eu acho isso muito importante. Ele tem um recall que é grande pela gestão que o pai dele fez no Estado. O Requião pai foi governador três vezes, foi um dos melhores governadores que o Paraná já teve, com programas importantíssimos, principalmente no desenvolvimento social. E o Requião Filho tem um grande compromisso com a área de educação e com a área de segurança. A gente tem percorrido o Estado; ele tem feito campanha, nosso time está muito organizado e eu estou muito otimista porque eu sei que ele vai para o segundo turno. Nós vamos disputar essa eleição para ganhar e temos uma chapa boa de deputados federais; temos seis partidos na nossa coligação, com condições de trazer um sétimo partido, então é uma grande coligação com grandes propostas para o Paraná. É isso que a gente vai apresentar durante essa caminhada do processo eleitoral.

EDUARDO FARIAS: Quando foi lançada a sua pré-candidatura ao Senado, foi frisado que a decisão surgiu de um convite do presidente Lula. O projeto maior é reeleger o presidente Lula, e isso passa pelo Paraná também?

GLEISI HOFFMANN: Passa, com certeza. Hoje eu estou muito feliz; uma pesquisa com a Quest — claro que pesquisa é um retrato do momento e eu não sou efusiva nas boas e também não sou pessimista nas más —, mas mostra a consolidação do presidente como candidato a ganhar as eleições. Eu já dizia isso lá atrás, quando a gente ainda estava com as pesquisas em situação mais apertada. Por quê? Pelo que ele está fazendo no Brasil. Ele retomou esses programas, essas obras, essas ações todas que eu estou falando. E se hoje, por exemplo, nós temos a Itaipu ajudando os municípios, como está ajudando Ponta Grossa, no bunker da Santa Casa são mais de R$ 8 milhões de investimentos para a gente poder instalar o acelerador linear; as placas solares no Hospital Bom Jesus; a própria UTI neonatal e a nova universidade, a nova maternidade na Santa Casa, também com recurso da Itaipu, é porque tem um direcionamento dele. De que nós temos que investir nos municípios, que nós temos que melhorar a vida das pessoas aonde elas moram, e isso está acontecendo em todo o Paraná. Eu sei que, ele se elegendo, a gente tem instrumentos para ter continuidade e fazer essas ações e esses investimentos. Então, sim, é uma prioridade; nós vamos trabalhar muito, queremos eleger o Requião Filho, queremos eleger a nossa chapa de deputados federais. Hoje, nós temos seis na federação, são cinco do PT, mais o deputado Aliel, que é de Ponta Grossa, que tem sido um grande companheiro, e a gente quer a reeleição. Então, nós temos condições de aumentar essa chapa para sete, e isso nos dá força para a gente poder fazer interlocução com o Brasil e trazer benefícios para o Paraná. E, claro, tem uma orientação nacional também para a eleição do Senado. Eu fiquei muito honrada quando o presidente me colocou o desafio de disputar novamente o Senado, e faço isso com o maior prazer, porque eu amo o meu Estado, eu tenho muita identificação com o Paraná. Por onde eu andei, em todos os cargos que eu ocupei, eu sempre levei o Paraná comigo, sempre tive preocupação de a gente trazer coisas efetivas e concretas para o Estado, e eu acho que a gente pode ser um instrumento para fazer isso, cada vez mais.

EDUARDO FARIAS: Já existe alguma data marcada para as convenções e para o lançamento dessa chapa?

GLEISI HOFFMANN: Eu conversei com o nosso presidente do partido, o deputado Arilson Chiorato, e a gente deve fazer isso no final do mês de julho, perto do dia 30; ainda não está definida a data. Para a gente fechar a chapa, nós já fizemos o lançamento das pré-candidaturas — foi um lançamento muito bonito, foi feito em Curitiba. E agora queremos fechar a chapa e iniciar o processo eleitoral e a campanha.

EDUARDO FARIAS: A chapa da senhora deve apresentar ideias distintas dos últimos governos do Paraná?

GLEISI HOFFMANN: Sim, melhorando o que está bom, colocando coisas novas e substituindo o que está ruim. Acho que uma das coisas importantes é o desenvolvimento do Paraná de forma sustentável; é reposicionar e colocar o Paraná como protagonista no cenário nacional. É também investir na nossa educação; isso precisa muito e é um compromisso do Requião Filho. Eu fico com a responsabilidade de articular as forças federais para sustentar o nosso ensino universitário, ajudando inclusive as universidades estaduais, e ele com o ensino básico, com as prefeituras, com o ensino médio, que é muito importante. As forças de segurança também: importante nós termos clareza de fortalecer a segurança do Paraná. Na semana nós tivemos uma audiência muito importante aqui em Brasília com o prefeito de Guaíra. A segurança começa também na proteção das nossas fronteiras, que é onde o tráfico acontece, é onde entra o contrabando, o ilícito. Enfim, a gente tem uma operação na fronteira do Oeste Paranaense, em Guaíra, que é o BPFron, Batalhão de Fronteira, que foi feito numa articulação muito legal, que é o governo federal através da Itaipu, colocando recursos de mais de R$ 26 milhões para construir o batalhão lá. O governo do Estado também está entrando com efetivo da Polícia Militar e da Polícia Civil; o Governo Federal também entra com a Polícia Federal, Polícia Rodoviária, e o município entrou com o terreno e com a Guarda Municipal, e tem as Forças Armadas. Essa articulação está se tornando um case de sucesso em articulação de forças de segurança para proteção de fronteiras. E ontem nós fomos apresentar ao ministro da Justiça, que nos recebeu, estava junto com o prefeito de Guaíra, para que lá tivesse um centro de formação profissional das forças de segurança do país, para que as pessoas conheçam o que é uma ação integrada das forças de segurança pública, onde cada um cumpre o seu papel: policiamento extensivo, polícia de inteligência, polícia de fronteira. Então, isso é importante: a gente também ter essa visão de que nós podemos integrar essas forças de segurança. E isso o Requião Filho tem claro; o presidente Lula e eu também temos claro: o papel de cada um, com mais recursos, com mais condições, para a gente melhorar a segurança da população.

EDUARDO FARIAS: Em relação às pré-convenções, já estão consolidados os partidos que devem estar na chapa em que a senhora faz parte?

GLEISI HOFFMANN: São seis partidos: PT, PDT, PV, PCdoB, PSOL e a Rede. E a gente quer que venha o PSB para essa coligação. Nós temos uma coligação nacional com o PSB. Na campanha de 2022 nós apoiamos o PSB em Curitiba, temos uma aliança; tenho conversado com o PSB, com o deputado Ducci, com a direção nacional, e a nossa intenção é o partido do presidente Alckmin, que o PSB também componha essa aliança e, se quiser, inclusive, indicar o candidato a vice-governador da chapa do Requião Filho. Então é essa a tratativa que nós estamos fazendo agora. É uma aliança bem legal, bem robusta do ponto de vista político, e eu acho que dá para fazer uma boa disputa no estado do Paraná.

EDUARDO FARIAS: Na chapa, a senhora será a única candidata ao Senado ou vai ter mais alguém ocupando essa segunda vaga?

GLEISI HOFFMANN: Nós estamos conversando sobre isso dentro do partido. Tem se destacado o nome do ex-deputado Florisvaldo Fier, conhecido como Dr. Rosinha, que pode ser um segundo nome, mas isso a gente vai definir agora nesse processo com o partido, com a convenção. O que eu acho importante é que a gente tenha uma chapa forte e possa disputar. E, obviamente, eu fico muito lisonjeada também, porque estar nessa disputa, ser mulher, já ter ocupado a vaga, me dá também condições de falar sobre e pelas mulheres, no caso das políticas públicas. Nós precisamos ter voz feminina no Parlamento, no Senado. Quando a gente senta à mesa no processo de decisão, a gente tem que levar a visão da mulher, que é uma visão que requer uma estrutura de saúde melhor para atender a nossa população, que é fundamental: o combate, o enfrentamento à violência contra a mulher, contra o feminicídio e as condições de trabalho. Então, também quero ser uma voz que represente essa caminhada e essa defesa dos direitos das mulheres e o nosso direito político de ter sempre o voto e participar das instâncias de decisão.

EDUARDO FARIAS: Saiu um ranking e Ponta Grossa está bem ranqueado entre os maiores exportadores do país. Diante desse cenário, como a senhora vê esse papel da região no futuro governo do Estado e no Senado?

GLEISI HOFFMANN: Ponta Grossa é muito importante para o Paraná. Eu diria não só para o Paraná, mas para o Brasil, tanto na produção agrícola como industrial. Ela tem um dos polos de indústria mais desenvolvidos do nosso Estado, e na produção agrícola também. Tanto que a gente tem um investimento grande no armazém da Conab, que é um dos maiores armazéns do Brasil e que estava deixado de lado. E ele é importante para esse hub da agricultura, para que as cooperativas possam colocar sua produção com destino ao Porto de Paranaguá. Vão ser R$ 55 milhões de reais da Itaipu para a Conab. Isso é muito importante. Os investimentos no aeroporto também: a gente precisa ter um aeroporto legal. Eu estive recentemente no aeroporto de Ponta Grossa e ele está ficando bonito; são R$ 35 milhões de investimentos do Fundo Nacional de Aviação, recurso do Governo Federal. E agora Ponta Grossa entra com esse aeroporto na licitação geral, ligada ao aeroporto de Brasília. Até a prefeita Elizabeth fez contato comigo, para a gente conversar no Ministério da Aviação, porque é previsto, inclusive, descida de Boeing e de aviões maiores no terminal. Só que, quando foi colocado o processo de licitação, não foi colocado o aumento da pista, e sem aumentar a pista do aeroporto, a gente não consegue que aviões grandes desçam. Então, nós já conversamos com o ministro de Aviação Civil e ele já deve ter ligado para a prefeita. A gente quer que faça correção no edital. Não tem problema a licitação ser conjunta, cruzada; é assim mesmo desde o Programa de Investimento em Logística que nós trabalhamos com a Dilma — acontece e tem melhorado os aeroportos —, mas a gente quer que o aeroporto de Ponta Grossa tenha essa estrutura, uma boa pista, para que a gente possa ter grandes aviões descendo, inclusive aviões de carga. Então, esse é um compromisso. Veja como a gente já está vendo Ponta Grossa como estratégica do ponto de vista da produção e do país. Tanto na questão da aviação, como na questão do armazém, na questão das rodovias — a BR-277 que passa pelo município, outras BRs — os investimentos na concessão vão ser grandes nesse sentido; ou seja, cada vez mais Ponta Grossa vai assumir um papel proeminente no estado do Paraná e na produção do Brasil. E, claro, os investimentos que eu citei para você na área de saúde também são importantes, porque sem saúde não adianta ter infraestrutura. O povo tem que ter saúde, tem que ter lugar para conseguir atenção, tem que ter educação, tem que ter desenvolvimento. Então, isso tudo faz parte dessa ação do governo federal. A questão de cultura: quero lembrar também que Ponta Grossa foi contemplada agora como um MovCEU, um veículo itinerante de cultura, a partir de um pedido do vereador Mazer para a gente articular. Tem cinema que vai passar nos bairros. Então, é uma série de questões, um conjunto de ações para melhorar a vida das pessoas e dar condições de Ponta Grossa e da região se desenvolverem ainda mais.

EDUARDO FARIAS: Em relação aos pré-candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal, o vereador Guilherme Mazer vai ter a maior concentração? Quais outros pré-candidatos devem compor a chapa?

GLEISI HOFFMANN: Mazer é o principal candidato do PT a deputado estadual, mas terão outros candidatos da nossa federação. Tem candidatura do PV, do PDT. Então, cada partido vai ter sua estratégia, assim como para deputado federal, cujo nosso principal candidato é o deputado Aliel Machado, que é o deputado da cidade e tem nos ajudado bastante. Mas tem outras pré-candidaturas também de outros partidos. Então, cada partido vai fazer a sua priorização e vai fazer a sua campanha. O importante é que a gente tenha uma boa chapa. Como eu disse, hoje nós temos seis deputados federais na nossa federação: PT, PV, PCdoB. A gente quer ver se aumenta pelo menos para sete. Nós já somos a segunda maior bancada federal do Paraná. Queremos continuar sendo, quem sabe até a primeira. E na Assembleia Legislativa, nós temos sete deputados. Elegemos sete deputados. Queremos continuar com sete ou aumentar. Então, a gente está bem otimista nessa composição. E é um pessoal que trabalha muito unido. É muito legal, porque todo mundo ajuda a conseguir as coisas, independente da posição política. Veja: nós não somos do partido da prefeita, não apoiamos, tivemos outra candidatura. O Mazer, inclusive, se figura como oposição. Mas a gente nunca deixou de ajudar a cidade. Nunca deixou de atendê-la e de ver o que a gente pode fazer para melhorar Ponta Grossa, porque nós entendemos que o povo a colocou lá e nos colocou onde nós estamos. Então, nós temos que conversar. Uma coisa é a posição política; outra coisa é conversar e unir os esforços para a gente levar os benefícios para a população.

EDUARDO FARIAS: Nas pesquisas, Sergio Moro está apontado como o favorito, e na sequência vem o Requião Filho. Como que a senhora e a chapa estão vendo esse momento e as críticas vindas de Moro?

GLEISI HOFFMANN: As críticas do Sergio Moro já são naturais para nós. Eu sempre disse que a operação que ele fez nunca foi para combater a corrupção; sempre foi para disputar o poder, e agora está claro isso, tanto que ele foi candidato ao Senado e é candidato a governador. O problema dele é realmente apresentar um projeto para o Paraná. O projeto dele não pode ser só derrotar o PT e derrotar o Lula, que ele fica falando o tempo inteiro. O que ele pensa da infraestrutura do nosso Estado? Esses dias ele deu uma declaração que foi vergonhosa em Paranaguá. Ele tem que saber um pouco o que significa o Estado, como é que o Estado está, quais são as forças produtivas e o que ele propõe. O que ele propõe para a área de educação? Esse é o debate que ele tem que fazer. Nós jamais apoiaríamos ele porque sabemos do caráter e do problema que ele tem em relação à política. Ele não é uma pessoa que vem para construir; ele quer acabar. Eu costumo dizer o seguinte: “isso não cola no Paraná”. Paraná é um Estado em que ninguém se faz sozinho e ninguém se faz querendo acabar com os outros. É um Estado de cooperação. Por isso que nós temos tantas cooperativas; é o Estado que mais tem cooperativas do Brasil. Quem não entende isso, não entende do Paraná. Então, aqui a disputa eleitoral não é uma guerra contra o outro; é exatamente uma caminhada a favor do Estado e tem que se estabelecer mostrando o que pode apresentar para o Paraná. A gente está mostrando! Estamos mostrando na prática, desde que a gente assumiu o governo agora em 2022 e nos outros governos, e estamos mostrando propostas para a campanha. Ele que apresente as propostas para a campanha e pare de ficar com essa baboseira, esse fetiche em relação ao PT.

EDUARDO FARIAS: Como a senhora analisa o momento atual do Senado e o que a senhora faria para melhorar?

GLEISI HOFFMANN: O Senado tem que ajudar a desenvolver o país. Se o Senado tem críticas ao STF, acha que tem que fazer julgamento de ministro, é um direito do Senado; é uma prerrogativa, inclusive, abrir processo, discutir impeachment, desde que existam motivos concretos para fazer. Não pode ser uma coisa simplesmente política porque não gosta das decisões do ministro. Então acho que isso é um ponto; e tem que se preocupar com o que a população precisa. Por exemplo: nós estamos lá ainda com a PEC que finaliza a escala 6x1 e o Senado não está discutindo isso, não colocou em pauta. Isso beneficia milhões de trabalhadores, principalmente mulheres, que trabalham numa escala que é dolorosa, em que ela só tem um dia por semana para organizar as coisas da casa, dar uma atenção maior para os filhos, não tem nem condição de descansar. Isso é uma tarefa do Senado. A PEC da segurança pública está lá. Nós aprovamos na Câmara e está lá dormindo nas gavetas do Senado. A PEC é muito importante, por quê? Porque ela faz a integração das forças de segurança; isso que a gente está fazendo na prática em Guaíra pode se tornar uma realidade no país inteiro, definindo o papel das Polícias Federais, das Polícias Estaduais, da Polícia Municipal, o papel de cada um. O financiamento iria ajudar muito no combate ao crime organizado, na asfixia financeira desse crime, mas o Senado também não discute. Então fica uma baboseira, uma discussão sobre fazer impeachment desse ou daquele. Não tem problema, pode fazer; instala o processo, se tiver razão para fazer, mas o que não pode é o Senado deixar de discutir esses temas importantes que dizem respeito à vida da maioria da população do país.

Foto: Arquivo

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