No início desta semana passaram a circular de grupo em grupo no WhatsApp os números de uma pesquisa de opinião referente à corrida eleitoral em Ponta Grossa. Entretanto, não se sabe quem iniciou a divulgação de tal pesquisa, e muito menos qual instituto realizou o levantamento.
Não há fonte e nem procedência na publicação. E não é pra menos, já que não há nenhuma pesquisa eleitoral registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PG) referente a Ponta Grossa. Ou seja, nenhuma pesquisa está apta a ser divulgada, seja por candidatos, meios de comunicação ou por eleitores.
O que tem circulado nos bastidores das campanhas são os números das ditas pesquisas para 'consumo interno'. Como o próprio nome diz, os números só podem ser usados para embasar os candidatos e suas campanhas internamente, mas não podem ser publicados, por não ser uma pesquisa registrada na Justiça Eleitoral.
O levantamento de que não há pesquisa registrada em Ponta Grosa foi realizada pelo repórter Afonso Verner, do Portal aRede e Jornal da Manhã, nesta terça-feira (20). Nesse levantamento, o que também chamou a atenção foi o fato de que somente Ponta Grossa, entre as cidades que podem ter segundo turno nas Eleições 2020 no Paraná, não possui uma pesquisa registrada até o momento.
Vale ressaltar que para registrar uma pesquisa, além de seguir critérios científicos, é preciso pagar o instituto e o registro. Segundo o levantamento do Portal aRede, esse valor para registrar poder chegar a R$ 8,5 mil.
Sem pesquisa da Globo
Como a RPC, afialiada da Rede Globo em Ponta Grossa, que tradicionalmente contratava e divulgava pesquisas do Instituto Ibope para retratar o cenário eleitoral no Município, já informou que neste ano não fará tal contratação, fica a pergunta se os ponta-grossenses irão ver alguma pesquisa sendo registrada e divulgada no pleito deste ano. Estamos a cerca de 25 dias para a ida às urnas, em 15 de novembro, e uma pesquisa precisa ser registrada no mínimo cinco dias antes da divulgação.
O que se tem informação é de que algumas coligações estão tentando articular com meios de comunicação local a divulgação de pesquisas contratadas pela própria estrutura de campanha do candidato. A prática não é incomum. O candidato contrata, paga, mas a pesquisa é registrada por um meio de comunicação, que depois faz a divulgação. Isso para dar maior credibilidade à pesquisa.
Renomados
Entretanto, como o cenário eleitoral ainda está indefinido, alguns meios de comunicação só estariam dispostos a divulgar pesquisas de institutos renomados nacionalmente, como o próprio Ibope ou o Datafolha. A contratação desses institutos, entretanto, esbarram no valor a ser pago pelo estudo, e na disponibilidade da agenda, já que nesse período a demanda é grande em todo o país.
Dessa forma, é provável que, se for pra uma pesquisa de opinião vir à tona no processo eleitoral em Ponta Grossa, será através da campanha do próprio candidato que a contratar. Ou, então, se algum meio de comunicação mudar de ideia no 'frigir dos ovos'.
O fato é que o eleitorado dá grande importância para os números de uma pesquisa. Assim, para quem estiver na frente ou crescendo, auxilia é muito dentro de uma estratégia de campanha. A aguardar!
Eduardo Farias é jornalista especializado em política há 15 anos e editor do Blogdodoc.com