A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) ampliou seu papel no desenvolvimento de Ponta Grossa. Além da expansão universitária e a acessibilidade, a UEPG transformou a saúde em um de seus pilares de atuação. Os investimentos nos últimos anos consolidaram um um hub regional de saúde, que impulsionou a expansão urbana e econômica do bairro de Uvaranas.
O tema foi destacado pelo atual reitor, Miguel Sanches Neto, e pelo reitor eleito, Ivo Demiate, em entrevista especial aos blogs do Doc.com e do Johnny - a última das três partes - ao avaliarem os avanços da instituição e os desafios para o próximo quadriênio.
A ideia de “hub” partiu de Miguel Sanches Neto. Para ele, a UEPG já superou a ideia de “hospital universitário” e passou a liderar uma ampla rede de serviços de saúde. “A UEPG não tem apenas um hospital universitário. Ela tem um hub de saúde”, afirmou.
Juntamente com a UPA Uvaranas, o ‘hub’ integra as clínicas odontológicas da instituição, o Instituto Médico-Legal (IML), o Centro Especializado em Reabilitação (CER-4), o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), o Hospital Universitário Materno-Infantil (Humai), a Unidade de Pronto Atendimento e, futuramente, a nova torre do Hospital Universitário.
Para Demiate, a estrutura de saúde construída em torno da universidade tem atraído investimentos públicos e privados para a região. Segundo ele, empreendimentos como a nova torre da Unimed e a expansão do Hospital Geral Unimed (HGU) demonstram a força do setor.
“Esse polo de saúde pública aqui atrai investimentos privados. Olha a Torre da Unimed, o HGU. Todo mundo está investindo”, afirmou.
Sanches Neto diz que a presença da universidade ajudou a deslocar o eixo de desenvolvimento da cidade para Uvaranas. “Uma pessoa me disse que a UEPG deslocou o centro de desenvolvimento de Ponta Grossa para Uvaranas. E é fato. Os condomínios que surgiram ao redor, o comércio que está sendo criado e a própria UPA que veio para cá estão relacionados à presença da universidade”, avaliou.
“A economia da cidade está mudando. A indústria é muito importante, mas o que mais gera circulação de dinheiro e distribuição é a área de serviços. Uvaranas está florescendo por conta dessa circulação de recursos”, disse. Atualmente, mais de três mil colaboradores atuam no complexo hospitalar ligado à universidade.
Empregos
Entre os projetos em andamento está a criação de um curso técnico de enfermagem dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Uvaranas. A iniciativa busca atender à demanda crescente por profissionais da área, motivada pela ampliação da estrutura hospitalar da cidade.
“Nós vamos abrir um curso de técnico de enfermagem dentro da UPA. Quando a nova construção entrar em funcionamento, haverá necessidade de mais profissionais. A própria Unimed também pretende abrir formação nessa área porque está faltando técnico de enfermagem”, explicou Miguel.
A demanda por enfermeiros e técnicos de enfermagem também deve crescer. Atualmente, cerca de 1.200 profissionais atuam nessas funções. Com a expansão da estrutura, a expectativa é alcançar aproximadamente 2.400 trabalhadores.
Confira a entrevista:
Reitor Miguel, agora que o senhor passa o bastão para a próxima gestão, o senhor tem planos para o seu futuro?
MSN (Miguel Sanches Neto): Meu projeto é de aposentadoria. Vou me aposentar com 40 anos, 7 meses e 5 dias de contribuição previdencial. Então, acho que está de bom tamanho. Vou voltar a ser apenas escritor, mas seguirei acompanhando como embaixador dessa gestão, sem cargo. É uma condição que colocamos entre nós na campanha. Terminaria a gestão e não ficaria, porque nada é mais frustrante para um novo gestor do que ter o antigo colado nele. Então, total liberdade pra eles.
“Miguel, você conhece fulano em Brasília, pode dar uma mão pra abrir uma agenda pra gente?” Vamos dar a mão pra abrir a agenda. Mais como um consultor esporádico. Não pretendo ocupar cargo, nem concorrer a nada. Daqui para os pijamas.
ID (Ivo Demiate): Essa nossa eleição com mais de 70% dos votos é a aprovação da gestão. Ficamos muito orgulhosos de que nós participamos dessas duas gestões e sempre em cargos de embate. É o reconhecimento do trabalho que essa equipe que o professor Miguel teve o cuidado e a competência de montar.
Como mencionado antes, houve reformas em prédios, investimentos, olhar para acessibilidade [...] deixa um legado na história?
MSN: Nós seremos a primeira universidade 100% acessível no Brasil. O projeto de acessibilidade já está 98% concluído e vamos entregar em breve. O que queremos mostrar? Que a cidade tem que ser mais acessível. Os prédios públicos e privados têm que ser mais acessíveis. Não é só para nosso uso. Então foram vários projetos que a gente foi investindo.
ID: Organizar tudo. Deixar organizado. Colocar uma certa lógica nas coisas que, para nós, que estamos aqui no dia-a-dia, é óbvio, mas principalmente para o visitante, para comunidade externa, assim como a sinalização.
Os avanços na saúde foram os mais significativos?
ID: Esse polo de saúde pública aqui atrai investimentos privados. Olha a Torre da Unimed, o HGU. Todo mundo está investindo.
MSN (Miguel Sanches Neto): Esses dias uma pessoa falou assim: “a UEPG deslocou o centro de desenvolvimento de Ponta Grossa para Uvaranas”. E é fato, porque os condomínios que saíram ao redor, o comércio que está sendo criado, a própria UPA que veio para cá, tudo isso está envolvido com a presença da Universidade. Isso também nos orgulha.
ID: E a economia da cidade está mudando, porque a economia industrial é muito importante. Mas o que mais gera circulação de dinheiro e distribuição é a área de serviços. Serviços de educação, serviços de saúde. Uvaranas está florescendo por conta dessa circulação de dinheiro. Temos mais de 3 mil colaboradores que trabalham no hospital.
MSN: Nós estamos fazendo uma coisa inédita. Nós vamos abrir um curso de técnico de enfermagem dentro da UPA. Porque quando abrir a nova construção, vai ter técnico de enfermagem na cidade. A Unimed também vai abrir técnico de enfermagem, porque está faltando esse técnico.
Hoje, o hospital é a empresa que mais contrata médicos em Ponta Grossa e nos Campos Gerais. São mais de 500 médicos contratados em todas as disciplinas. Quando for inaugurada a torre, vamos precisar de mil. Entre enfermeiros e técnicos enfermeiros, tem 1.200 contratados. Quando tiver a nova torre, vai ter que ser 2.400.
A UEPG não tem um hospital universitário. Tem um hub de saúde, que vai das clínicas odontológicas, do IML, que faz parte desse sistema, do CER-4, do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), que está saindo, do HUMAI, agora com a própria UPA, Uvaranas é um hub de saúde da região dos Campos Gerais. E com a nova torre do HU, isso vai se expandir.
Texto: Vinícius Sampaio
Fotos: José Aldinan