A Universidade Estadual de Ponta Grossa tem ampliado horizontes para os próximos anos. Segundo o atual reitor, Miguel Sanches Neto, e os professores Ivo Demiate e Adriana Campagnoli, eleitos para comandar a UEPG no próximo quadriênio, a internacionalização será fundamental no projeto de expansão da Universidade.
Os entrevistados compartilharam, em entrevista aos blogs do Doc.com e do Johnny– a segunda das três partes -, alguns projetos em andamento. Entre elas, está a negociação para implantar um curso de doutorado em Odontologia no Paraguai, em parceria com a Universidade Nacional de Assunção.
Miguel Sanches prevê a conclusão das negociações ainda neste ano. O projeto deve qualificar cerca de 40 docentes da Universidade Nacional de Assunção. “Será uma equipe daqui que vai qualificar os professores da Universidade, que é a maior do Paraguai. Estamos apenas finalizando as tratativas, mas está bem encaminhado”, disse.
A UEPG ocupa atualmente a liderança entre as universidades estaduais do Paraná em Perspectiva Internacional, segundo a Times Higher Education. O reitor relaciona o crescimento da instituição ao desenvolvimento de Ponta Grossa.
“Ponta Grossa vive uma transformação semelhante à de Campinas nos anos 80. A Universidade vai crescer junto com a cidade”, afirmou.
Durante a entrevista, o reitor também confirmou que a Universidade trabalha para viabilizar a instalação de um campus do Instituto Federal do Paraná (IFPR) dentro da UEPG. A instituição deve doar uma área de 60 mil metros quadrados para o novo campus, que já conta com previsão de R$14 milhões do PAC para construção.
Parcerias
O projeto de internacionalização ainda envolve a ampliação de acordos acadêmicos com universidades portuguesas para a dupla diplomação, tanto na graduação como na pós-graduação.
A proposta, como conta a vice-reitora eleita Adriana Campagnoli, é fortalecer programas atuais e ampliar novas oportunidades de formação fora do país.
“Hoje já é uma realidade o curso de Engenharia de Alimentos com o Instituto Politécnico de Bragança, e estamos em busca da dupla diplomação do curso de Direito junto com a Universidade do Porto”, afirmou.
Para o reitor eleito, Ivo Demiate, as parcerias buscam atrair mais alunos a cursos com baixa procura e ampliar a presença internacional da Universidade. Estudantes podem cursar disciplinas no Brasil e em Portugal, com diplomas válidos nos dois países.
“Temos dois cursos de doutorado alinhados com o Instituto Politécnico de Bragança: Agronomia e Ciência e Tecnologia de Alimentos, com dupla diplomação. Isso dá mais visibilidade e atratividade para o jovem fazer uma graduação e ter uma experiência internacional”, explicou.
Na primeira reportagem sobre a entrevista, a ‘ousadia’ administrativa foi apontada como a principal aposta para a expansão do ensino superior e do protagonismo da UEPG. Confira AQUI.
Abaixo você confere o segundo trecho da entrevista:
Em relação à pesquisa científica, como a Universidade pretende avançar nos próximos anos?
AC (Adriana Campagnoli): Sou membro permanente do mestrado profissionalizante em Direito, conquista da gestão do professor Miguel. O mestrado em Direito veio muito tempo após a implantação do curso. É uma inovação a possibilidade de um mestrado profissionalizante, com muitos produtos que geram resultado na prática. A UEPG vai buscar o fortalecimento dos programas, inclusive a internacionalização. Já temos a internacionalização de programas de pós-graduação, e estamos sempre em busca de mais e mais, inclusive na graduação. Hoje já é uma realidade o curso de Engenharia de Alimentos, com o Instituto Politécnico de Bragança, e nós estamos em busca da dupla diplomação do curso de Direito, junto com a Universidade do Porto. Queremos avançar nisso, tanto na graduação quanto na pós-graduação.
ID (Ivo Demiate): Nós temos as engenharias, alguns cursos que têm uma procura baixa, não só na UEPG, na UTFPR, no Brasil como um todo e fora do Brasil também. Estamos tomando novas providências e essa internacionalização, dupla diplomação, é uma coisa muito interessante. Conseguimos, com o Instituto Politécnico de Bragança, em Portugal, uma parceria já assinada para o curso de Engenharia de Alimentos, mas isso vai se ampliar para outros cursos. O aluno ingressa na UEPG como estudante de graduação, cursa disciplinas aqui e em Portugal, logo o diploma vale tanto aqui quanto lá. No Direito estamos tentando avançar também, e em outras áreas. Temos dois cursos de doutorado alinhados com o Instituto Politécnico de Bragança: Agronomia e Ciência e Tecnologia de Alimentos, com dupla diplomação. Isso dá mais visibilidade e atratividade para o jovem fazer uma graduação e ter uma experiência internacional.
MSN (Miguel Sanches Neto): Nós vamos ofertar o curso de doutorado em Odontologia, na Universidade Nacional de Assunção, no Paraguai. Vamos orientar em torno de 40 doutores, porque eles têm uma Universidade imensa, com 250 professores na Odontologia, mas poucos têm doutorado. Então será uma equipe daqui que vai qualificar os professores da Universidade, que é a maior do Paraguai. Uma equipe de Odontologia, junto com o apoio da CAPES, junto com o apoio da SETI, vai ofertar um curso lá. No ranking das universidades estaduais do Paraná, nós somos a primeira em internacionalização. Somos a quinta em tamanho e a primeira em internacionalização.
A partir de quando que vai iniciar o doutorado?
MSN: Esse ano ainda. Odonto, talvez a gente feche esse ano ainda. Só estamos fazendo as tratativas, não está assinado ainda, mas está bem encaminhado. É uma grande Universidade.
ID: A UEPG entrou no hall daquelas universidades que têm atraído estudantes, a maioria da América Latina. Alguns africanos, especialmente lusófonos. Na internacionalização ativa, quando você atrai as pessoas, há o estímulo de sair para se capacitar lá no exterior, que é a internacionalização passiva. Estamos atraindo essa internacionalização ativa, muito importante.
MSN: Ponta Grossa é Campinas dos anos 80, quando inicia a industrialização na região de Paulínia, Campinas, e a Unicamp dá aquela explosão e se torna a grande Universidade brasileira na área tecnológica. Em proporções do Paraná, estamos sofrendo essa mudança do perfil da cidade e a Universidade vai crescer junto com a cidade ou vai morrer. Não tem muito opção além disso.
Nós estamos trabalhando, há alguns obstáculos para serem vencidos, para que, dentro da UEPG, funcione o Instituto Federal. O campo do Instituto Federal do Paraná vai ser instalado aqui. Estamos doando 60 mil m² para abrir o campus. O Instituto Federal, que já está aqui conosco em salas emprestadas, vai ter uma construção aqui. Já há R$14 milhões do PAC para a construção do campus. Seremos obrigados a acompanhar o desenvolvimento dentro da cidade.
Texto: Vinícius Sampaio
Foto: José Aldinan