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Quinta-feira, 28 de maio de 2026
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Destaques 28/05/2026

UEPG aposta em ‘ousadia’ para expandir o ensino e protagonismo regional

Confira na entrevista com o atual reitor, Miguel Sanches Neto, e com os reitores eleitos, Ivo Demiate e Adriana Campagnoli

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UEPG aposta em ‘ousadia’ para expandir o ensino e protagonismo regional

“Ousadia” é a palavra que define a receita dos sete anos da gestão de Miguel Sanches Neto na UEPG — e também o conceito que deve orientar os próximos quatro anos da Universidade. Em entrevista aos blogs do Doc.com e do Johnny — a primeira de quatro partes —, o atual reitor e os professores Ivo Demiate e Adriana Campagnoli, eleitos para comandar a instituição entre 2026 e 2030 com mais de 70% dos votos, detalham os planos de expansão, infraestrutura e protagonismo regional da Universidade.

A ideia de uma gestão “ousada”, segundo Sanches Neto, está na ampliação da atuação da UEPG para além das atividades tradicionais de ensino, pesquisa e extensão. “Desde o CT do Operário, que não é uma obrigação da Universidade, mas que era importante para Ponta Grossa, até o IML, que também não era uma obrigação da UEPG, mas nós assumimos e o construímos dentro do campus. Outra coisa é que nós começamos a construir projetos a nível estadual e internacional”.

“Ousadia”, para o atual reitor Miguel Sanches Neto, significou fazer a universidade extrapolar seus próprios limites. “Nós conseguimos expandir a universidade para fora das suas fronteiras”, afirmou.

A próxima gestão também pretende ampliar a presença regional da UEPG por meio da expansão do ensino em outros municípios. Entre as demandas já apresentadas à universidade estão os cursos de Agronomia e Direito em São Mateus do Sul, além de informática e pedagogia em Telêmaco Borba.

A vice-reitora eleita, Adriana Campagnoli, afirmou que a instituição seguirá aberta às propostas regionais. “Nós estamos de portas abertas sempre para essas solicitações, para atender cada vez mais a comunidade acadêmica, não só do nosso município, mas de toda a região”, destacou.

Outro eixo defendido pela futura gestão é o fortalecimento das parcerias público-privadas. O professor Ivo Demiate citou como exemplo a implantação do curso de Medicina Veterinária em Castro, em parceria com a Castrolanda. “A Universidade precisa ter protagonismo para que a sociedade, de uma maneira sistêmica, a defenda, a enxergue e a valorize […] É uma parceria público-privada bastante desafiadora, mas que já está em um estágio bem amadurecido”, disse.

CONFIRA A ENTREVISTA ABAIXO:

O professor Ivo Demiate declarou recentemente que a gestão Sanches Neto foi “ousada”. A que se deve essa concepção?

MIGUEL SANCHES NETO (MSN): A gestão como um todo foi ousada e essa qualificação se dá porque a universidade deixou de fazer apenas aquilo que ela é obrigada a fazer – formar pessoas na graduação ou na pós-graduação, fazer pesquisa e extensão – e buscou outras atuações dentro da comunidade. Desde o CT do Operário, que não é uma obrigação da Universidade, mas que era importante para Ponta Grossa, até o IML, que também não era uma obrigação da UEPG, mas nós assumimos e o construímos dentro do campus. Outra coisa é que nós começamos a construir projetos a nível estadual e internacional. Por exemplo, um planetário de 6 milhões de euros vai ser construído para toda a rede de ensino público do Paraná e a UEPG tomou a frente e fez essa compra internacional na Alemanha. Nós conseguimos expandir a universidade para fora das suas fronteiras.

Como a parceria público-privada contribuiu para essa ousadia na gestão? 

IVO DEMIATE (ID): A universidade precisa ter protagonismo para que a sociedade, de uma maneira sistêmica, a defenda, a enxergue e a valorize. E essa foi uma das coisas que mais marcou: fazer mais do que nós já fazíamos e continuamos fazendo junto à sociedade. Um exemplo que está acontecendo é o curso de Medicina Veterinária no Município de Castro. A criação de um parque tecnológico na Agroleite, junto com a cooperativa Castrolanda, uma parceria público-privada bastante desafiadora, mas que já está em um estágio bem amadurecido. É um projeto muito importante e estamos muito animados.

Já existem propostas para a implantação de cursos de graduação em outros municípios. Como a expansão do ensino da UEPG vai ser trabalhada na próxima gestão?

MSN: Em São Mateus do Sul, estão solicitando Agronomia e Direito. E Telêmaco Borba está solicitando informática e pedagogia.

ADRIANA CAMPAGNOLI (AC): E Nós já tivemos a experiência de, nos últimos anos, de ter o curso direito em Telêmaco Borba. Foram experiências bastante engajadoras para a nossa Universidade e na próxima gestão, por óbvio que nós avaliaremos cada uma das propostas. Nós estamos de portas abertas sempre para essas solicitações, para atender cada vez mais a comunidade acadêmica, não só do nosso município, mas de toda a região.

Sobre infraestrutura, diferentes obras aconteceram nos sete anos de gestão, com destaque para a Saúde. Nova torre do Hospital Universitário, Ambulatório Médico de Especialidades… Qual o impacto disso para a comunidade local e regional?

MSN: Nós só fazemos obras porque existem pessoas. Então, investimos muito na frota de carros da universidade, ônibus, vans.  Investimos em muitos prédios novos, IML, o restauro do Museu dos Campos Gerais custou R$10 milhões. O AME, estamos fazendo o CER-4, a nova torre do HU e também fizemos vários laboratórios aqui no campus. Faremos em breve uma nova clínica odontológica, reforma do campo central, reforma dos prédios, revitalização da piscina, revitalização do observatório astronômico… Sempre partindo da ideia de que esses prédios impactam na qualidade de vida do aluno, do professor e do agente.  E se você tem uma melhor qualidade de vida, você tem uma melhor qualidade de permanência e você tem também uma melhor aprendizagem.

A próxima gestão tem alguns desafios. O novo Restaurante Universitário, por exemplo, é um desafio. A nova Casa do Estudante é um desafio que tem que ser enfrentado na sequência.

Como foi essa transição do poeta/escritor para o ‘tocador’ de obras?

MSN: Quando você tem uma formação técnica como a gente tem, ou uma formação pragmática, você conhece as duas realidades. Então, usei muito a experiência da realidade de ser filho de agricultores. Acho que o segredo da gestão, se ela teve êxito, por quê?

Primeiro, começamos como um grupo de oposição. Em 2018, não tinha compromisso com ninguém do passado. Então, a gente conseguiu uma liberdade para montar a equipe. Segundo, é uma equipe jovem. Se você pegar a média das pessoas da nossa gestão, é em torno de 40 anos. Vem querendo mostrar serviço, fazer a sua biografia dentro da Universidade.

Terceiro, não nos vinculamos a nenhum partido político. Aline Sleutjes (PL), Aliel Machado (PV), Tadeu Veneri (PT), Sandro Alex (PSD), Marcelo Rangel (PSD), Toninho Wandscheer (PP), Mabel Canto (PP), Hussein Bakri (PSD) colocaram dinheiro aqui. Sempre defendendo uma universidade progressista. Nunca recuamos. E a gente conseguiu trazer dinheiro que antes não vinham.

Como a experiência universitária do professor Ivo Demiate e a bagagem jurídica da professora Adriana Campagnoli podem construir uma gestão ainda melhor e mais ousada?

ID: Quando o Miguel me chamou em 2018, eu fui para o pró-reitor de planejamento. Fiquei pouco tempo nesse cargo, mas foi suficiente para fazer um planejamento estratégico. Depois, fui para a Pró-Reitoria de Assuntos Administrativos, cargo que o reitor delega ao pró-reitor a ordenação de despesas.

Na pandemia de Covid-19 e a professora Adriana entrou também no cenário, lá para o jurídico do HU. Já conhecia a professora Adriana há muito tempo, mas nos relacionamos muito mais profissionalmente. E aprendi muito com o Miguel. Se você não move uma peça, nada acontece; não ficamos parados. A gente mostra o resultado dos nossos índices em todos os rankings que a universidade melhorou na graduação, na pós-graduação, na pesquisa, na inovação, em todas as áreas. Então, realmente foi um aprendizado muito grande. O desafio agora é continuar com essa ousadia. Manter as equipes motivadas e buscar novas parcerias, continuar com esse percurso de crescimento. A universidade precisa crescer.

MSN: Um destaque saber é que é a primeira vez que um reitor, nós teremos um reitor pesquisador do CNPq. Não que isso seja uma condição para ser reitor, mas é uma novidade.

 

Texto: Vinícius Sampaio

Fotos: José Aldinan