A Doutores Palhaços SOS Alegria, organização da sociedade civil (OSC) de Ponta Grossa reconhecida nacionalmente pela palhaçaria no ambiente hospitalar, completa 18 anos de existência em 2026, nesta quinta-feira, 5 de novembro, e celebra a marca histórica de meio milhão de intervenções com pacientes. O que começou com dois palhaços voluntários, hoje reúne cerca de 70 pessoas e leva alegria aos hospitais de Ponta Grossa, Palmeira e Tibagi.
“Meu filho tinha 8 anos e perdeu o movimento das pernas. Era 2013 e nós estávamos desesperados ao chegar ao hospital para a internação, enquanto os médicos ainda buscavam um diagnóstico para a paralisia”, conta Alexandra Maria Stravatti, mãe de Felipe, hoje com 22 anos.
De acordo com ela, o filho, antes ativo e brincalhão, ficou triste e abatido durante a internação, especialmente por nunca ter passado por uma experiência hospitalar. Ela relatou que, em meio à insegurança e à ausência de respostas, a rotina no quarto mudou quando dois palhaços visitaram a unidade. “Eles deixaram aquele ambiente alegre, cheio de vida. Foi como se uma energia boa tivesse entrado ali”, afirmou a mãe.
Segundo Alexandra, a presença dos palhaços provocou uma transformação imediata no filho, que voltou a sorrir, brincar e demonstrar vontade de levantar e andar. Alexandra relata que pouco depois, ele conseguiu dar os primeiros passos, ainda com rigidez nas pernas, até retomar gradualmente os movimentos.
“E mesmo sabendo que não foi a intervenção com os palhaços que fez com que ele voltasse a andar, a presença deles trouxe esperança para mim e para o Felipe em um momento bem difícil. Até hoje, sempre que vejo um palhaço, me lembro deste acontecimento e sou muito grata para os Doutores Palhaços”, disse Alexandra.
Essa história teve início no sonho de uma menina, que queria ser médica e atriz. Micheli Vaz idealizadora da iniciativa em Ponta Grossa, conta que quando viu a atuação dos Doutores da Alegria, de São Paulo, em um trecho curto de uma novela de TV, buscou entender o trabalho, e acompanhando uma amiga internada com câncer, amadureceu a ideia para colocar em prática.
"Desta forma, começamos voluntariamente, eu e o Bruno, fazer intervenções nos hospitais da cidade. Fomos ganhando o apoio e o carinho das equipes de saúde, que percebiam os resultados do riso na melhora dos pacientes internados. De dois palhaços atuando nos hospitais, a iniciativa foi crescendo, recebendo apoio de médicos e outras pessoas da sociedade, e se tornou uma ONG", conta Micheli.
Com o tempo, o projeto se profissionalizou e hoje o elenco ponta-grossense conta até com um palhaço que já atuou por 28 anos na Doutores da Alegria, de São Paulo. Os idealizadores são atores profissionais e lideram um grupo de pessoas voluntárias que está presente cinco dias por semana, em escalas, nos hospitais de Ponta Grossa, Palmeira e, desde o ano passado, em Tibagi. Tem voluntário com 14 anos de casa, e a cada dois anos a OSC abre inscrições para uma nova turma para atuar nos hospitais.
Neste ano, os Doutores Palhaços alcançaram a marca de meio milhão de intervenções, um número histórico desde a fundação. Hoje, cerca de 70 pessoas fazem parte da organização, sendo 37 voluntários que compõem o elenco de hospital, os demais compõem sua diretoria, conselhos, equipe de formação entre outros.
O coordenador geral, Bruno Madalozo, explica que o trabalho só é possível nas proporções atuais graças às destinações via Lei de Incentivo à Cultura. Desde 2014, a OSC tem projetos aprovados pelo Ministério da Cultura.
“Na SOS Alegria, entendemos a arte como um caminho para o cuidado e a humanização das relações. Nosso diferencial está em unir o voluntariado à formação artística profissional, por meio de uma metodologia própria que prepara continuamente nosso elenco para atuar nos espaços de saúde. Não se trata apenas de provocar risos, mas de estabelecer encontros por meio da linguagem do palhaço, com escuta, sensibilidade, responsabilidade e respeito às particularidades de cada pessoa e ambiente. É esse compromisso com a arte e com as pessoas que sustenta nosso trabalho ao longo desses 18 anos”, afirma Madalozo.
O riso que chega ao leito também alcança quem está ao redor. Para Micheli, o trabalho da SOS Alegria ultrapassa os leitos hospitalares e alcança todos que compartilham os espaços de saúde, comemorar esses 18 anos é também reconhecer a força das relações construídas ao longo dessa trajetória.
“Depois de 18 anos, percebemos que o mais importante não está apenas nos risos que provocamos, mas nos encontros que construímos. A arte do palhaço nos permite olhar para além do estado de saúde, reconhecer as pessoas em sua humanidade e criar espaços de escuta, afeto e conexão. Nosso trabalho alcança pacientes, familiares, profissionais de saúde e também transforma quem escolhe fazer parte dele. Somos resultado de muitas mãos, histórias e pessoas que acreditam na potência da arte. Celebrar esses 18 anos é reconhecer essa construção coletiva e agradecer às cidades de Ponta Grossa, Palmeira e Tibagi por acolherem e fazerem parte dessa história”, finaliza Micheli.
O projeto "Salvando Risos", da Organização Doutores Palhaços SOS Alegria, é aprovado pelo Ministério da Cultura via Lei de Incentivo à Cultura (Pronac nº 259072) e projeto recebe patrocínio das empresas Paccar Financial, Granja Econômica, Águia Sistemas, Frísia, Unimed Ponta Grossa, Scherer Autopeças, Supermercado Rickli e Colégio Sepam, com apoio da DAF Caminhões e do Premium Vila Velha Hotel, e produção executiva da ABC Projetos Culturais. (Com assessoria. Foto: Divulgação)