Durante o mês de setembro, uma homenagem já se tornou tradicional nos Hospitais Universitários da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG). No mês em que se comemora a Doação de Órgãos, a equipe da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott) preparou uma linda cerimônia para destacar a coragem das famílias que autorizaram a captação. O evento aconteceu no último dia 25, no auditório do Ambulatório Médico de Especialidades (AME), em alusão ao Dia Nacional da Doação de Órgãos, comemorado em 27 de setembro, e enaltece a coragem das famílias que, mesmo em um momento delicado, tiveram a sensibilidade de ajudar o próximo.
“Eventos como esse são fundamentais para sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos, promovendo a solidariedade e a conscientização de que um único gesto pode salvar várias vidas. Como hospital universitário que atende exclusivamente pelo SUS, temos o compromisso de fortalecer essa cultura e contribuir para ampliar as oportunidades de transplantes”, enaltece a diretora-geral dos HU-UEPG, professora Fabiana Postiglioni Mansani, que esteve presente durante todo o evento.
Segundo ela, foi um momento de profunda emoção e reconhecimento, que valorizou a generosidade das famílias doadoras e o legado de vida que seus entes queridos deixaram. “Gostaria de reforçar que a doação de órgãos é um gesto de amor e solidariedade capaz de transformar vidas. Por isso, é fundamental conversar com a família e manifestar esse desejo. Nosso complexo HUs reafirma seu compromisso com a vida, a humanização e os princípios de equidade e integralidade do SUS”, finaliza.
O momento marcante do evento é a decoração da Árvore da Vida. Cada doador é representado por uma folha, em formato de estrela, com corações que representam cada órgão ou tecido doado. Eles se uniram a centenas de estrelas na árvore do HU, que fica no saguão do Hospital em exposição permanente. A cerimônia é realizada desde 2017 e, em 2026, aconteceu pela primeira vez no AME.
Em 2026, de 38 notificações para doação, 31 foram de doadores elegíveis. Mas de 27 entrevistas familiares realizadas, 13 autorizaram e outras 14 recusaram, o que corresponde a um taxa de conversão de 48% – um número abaixo da média registrada em anos anteriores. Isso demonstra que o tema é sempre atual e merece ser discutido não apenas durante o mês de setembro.
“E o mais importante é que as pessoas conversem sobre isso com as famílias, tanto manifestando a vontade de ser doador como perguntando o que os familiares pensam sobre a doação, porque, no Brasil, é o familiar que autoriza a doação”, explica Thaiza Rebonato, responsável pela Seção Técnica Assistencial dos HU-UEPG.
A enfermeira que coordenada a Cihdott, Andriely Barbosa, reforça que somente ao reforçar ações educativas, ampliar o acesso à informação e conscientizar a população sobre todas as etapas do processo de doação podem ampliar os índices de aceite para a doação de órgãos. “Pois a falta de conhecimento, as dúvidas sobre os procedimentos, a dificuldade de compreender o diagnóstico de morte encefálica e o desconhecimento da vontade do possível doador podem tornar ainda mais difícil a decisão dos familiares”, completa.
“A morte não é nada…”
O poema de Santo Agostinho sobre a morte foi lido durante o evento. Acolhedor, ele nos faz refletir sobre a continuidade da vida e a conexão eterna entre as pessoas, mesmo em ausência física, mas com uma presença viva e com a identidade preservada. A família de Douglas Alves Brisky, um dos doadores homenageados, participou da cerimônia. A mãe do rapaz, a professora Rose Mara Alves, disse que foi um momento muito difícil, pois foi quando recebeu a notícia oficial da morte do seu filho. “Estávamos com o emocional extremamente abalado, sem condições de tomar decisões, e tudo precisa ser resolvido em um tempo mínimo, pois há outras vidas esperando por esse momento”, afirma.
Segundo ela, a equipe do HU foi muito acolhedora e carismática durante a abordagem, mas pôde perceber que eles também estavam apreensivos, tensos e muito tristes ao dar uma notícia que até hoje ela não acredita.
“Foi muito difícil tomar a decisão porque, em família, nunca tínhamos conversado sobre doação de órgãos. A minha decisão naquele momento se deu pela pessoa que meu filho foi em vida: humilde, alegre, bondoso, carismático, alguém que tirava de si para ajudar o próximo. Naquele momento também me preocupei em como meu filho ficaria com a retirada dos órgãos. Foram muitos questionamentos e uma decisão que precisou ser muito rápida”, conta Rose Mara.
Mesmo passando por esse momento difícil, ela e sua família participaram da homenagem. “Foi um momento de grande importância. Além das homenagens às famílias e aos doadores, o evento trouxe informações muito importantes sobre a doação de órgãos”, destaca. Segundo ela, o aceite é de extrema importância. “São pessoas esperando por esse momento para terem seu tempo de vida prolongado e uma nova chance de viver”, finaliza. (Com assessoria. Foto: Divulgação)