O número de casos de trabalho infantil registrados em Ponta Grossa caiu 84% em dois anos, passando de 50 ocorrências, em 2023, para 8, em 2025. O levantamento é do Serviço Especializado de Abordagem Social para Crianças e Adolescentes, mantido pela Prefeitura e vinculado à Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG).
Entre setembro de 2023 e abril de 2026, foram identificadas 104 crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no município. Desse total, 74 já tiveram a situação superada, enquanto 30 permanecem em acompanhamento contínuo pela equipe técnica do CREAS I.
Na avaliação da presidente da FASPG, Tatyana Belo, a melhora significativa nos índices coincide com a própria implantação do Serviço Especializado de Abordagem Social para Crianças e Adolescentes, em 2023, além das demais políticas públicas implementadas pelo município.
"Esse resultado não é obra do acaso. É fruto de um trabalho articulado entre secretarias e serviços que atuam todos os dias para tirar crianças e adolescentes de situações de vulnerabilidade e garantir que voltem a ocupar o lugar que é delas: a infância", ressalta.
Tatyana também destaca a importância do trabalho de acompanhamento realizado pelo CREAS, em conjunto com os CRAS e demais órgãos que integram a rede de proteção. “Os encaminhamentos incluem retorno à escola, acesso a benefícios sociais e participação em cursos profissionalizantes. Cada caso superado é uma família que passou a contar com outro tipo de apoio, seja para gerar renda, seja para acessar direitos básicos. Não trabalhamos só para reduzir estatísticas, mas para que essas crianças tenham outro horizonte”, declara.
Perfil
O levantamento aponta ainda que a faixa etária de 12 a 15 anos, período de transição entre a infância e a adolescência em que o trabalho infantil mais compromete a escolarização, concentra o maior número de casos, com 27,9% do total. Os territórios de Costa Rica e Cel. Cláudio reúnem, juntos, 52% dos atendimentos realizados.
Ações de enfrentamento
Como parte do combate ao trabalho infantil, a Prefeitura está instalando placas de alerta em pontos estratégicos do município. A ação busca reforçar os canais de denúncia e ampliar a conscientização nos territórios com maior concentração de ocorrências.
“Nossos números são muito positivos, mas não podemos baixar a guarda. Historicamente, o trabalho de crianças e adolescentes é visto de forma distorcida pela sociedade, que muitas vezes enaltece e até incentiva essas situações. Por isso, reforçamos a divulgação em locais de grande circulação, como terminais de transporte coletivo, cruzamentos e bairros onde o problema é recorrente”, explica Tatyana.
Como identificar e denunciar
Toda atividade laboral, remunerada ou não, exercida por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida por lei é considerada trabalho infantil. Segundo a chefe da Divisão de Proteção Social Especial, Karym Collessel, a prática compreende desde o trabalho no comércio, em feiras e nos sinais de trânsito até situações de exploração mais graves.
"A mendicância, quando a criança ou o adolescente é levado a pedir esmola na rua, acompanhado ou não de um adulto, também é considerada uma forma de trabalho infantil. É uma violação de direitos, e cabe à rede de proteção atuar", completa.
Qualquer pessoa que identificar crianças ou adolescentes em situação de trabalho infantil ou mendicância deve acionar o Serviço Especializado de Abordagem Social, por WhatsApp ou telefone, pelo número (42) 98882-5514.
Denúncias também podem ser feitas ao Conselho Tutelar ou pelo Disque 100. (Com assessoria. Foto: Divulgação)