Servidores de carreira de três secretarias de Estado relatam estar sendo pressionados por gestores políticos a publicar conteúdos favoráveis ao pré-candidato do governo do Paraná, Sandro Alex (PSD), em suas redes sociais pessoais.
Ao todo, seis denúncias chegaram com o mesmo teor. Segundo os relatos, os servidores são técnicos efetivos, ocupam funções gratificadas e afirmam ter alcançado essas posições por qualificação profissional, não por apadrinhamento político. Ainda assim, dizem estar sendo abordados dentro da estrutura administrativa para aderir à divulgação política do nome apoiado pelo governo.
O ponto mais grave, segundo os denunciantes, é o temor de represálias. Eles afirmam não se sentir seguros para acionar os canais internos de denúncia, por receio de exposição, retaliação funcional ou perda das funções que ocupam.
A pressão, conforme os relatos, teria se intensificado após a percepção, dentro do próprio governo, de que a pré-candidatura de Sandro Alex não estaria ganhando tração - nem mesmo entre servidores e quadros ligados à máquina pública.
As denúncias levantam questionamentos sobre possível uso da estrutura administrativa para fins político-eleitorais e sobre os limites entre engajamento espontâneo e constrangimento institucional.
Caso confirmada, a prática pode representar um grave desvio de finalidade: servidores públicos, especialmente os de carreira, não podem ser transformados em instrumentos de promoção política sob ameaça velada ou explícita de retaliação.
O episódio também reacende o debate sobre a segurança dos canais internos de denúncia no serviço público. Quando servidores dizem ter medo de denunciar dentro do próprio governo, o problema deixa de ser apenas eleitoral e passa a ser institucional.
Os relatos ainda precisam ser apurados pelas autoridades competentes, com garantia de sigilo, proteção aos denunciantes e investigação independente sobre eventual pressão política dentro das secretarias. (Foto: AenPr)