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Destaques 26/06/2026

UEPG e Tecpar se unem para criar biobanco público de células-tronco

As instituições firmaram parceria para a realização de um estudo clínico voltado à utilização de células-tronco mesenquimais (CTM) para o tratamento de pacientes com fissura labiopalatina, popularmente conhecido como lábio leporino

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UEPG e Tecpar se unem para criar biobanco público de células-tronco

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) vão trabalhar juntos em uma iniciativa inédita para fortalecer a pesquisa em medicina regenerativa no Paraná. Nesta sexta-feira (26), as duas instituições firmaram uma parceria para a realização de um estudo clínico voltado à utilização de células-tronco mesenquimais (CTM) para o tratamento de pacientes com fissura labiopalatina, popularmente conhecido como lábio leporino. 

O projeto será realizado com recurso de R$ 17,5 milhões, destinado por meio do Fundo Paraná, dotação orçamentária constitucional de fomento científico administrada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

O objetivo da pesquisa é criar um biobanco público de células-tronco, constituído a partir da coleta de amostras biológicas de pacientes com fissura labiopalatina. Esse material será encaminhado para processamento em laboratórios especializados, onde será submetido a procedimentos de isolamento, caracterização celular e um rigoroso controle de qualidade.

Depois, será armazenado para preservação em nitrogênio líquido, a fim de servir de subsídio para pesquisas futuras e publicações científicas.

O diretor industrial da Saúde do Tecpar, Iram de Rezende, ressalta que a parceria integra projeto aprovado no Fundo Paraná que envolve, caso seja aprovado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o uso da bioengenharia de tecido ósseo, composto por células-tronco associadas a um biomaterial, para o tratamento de pacientes com fissuras labiopalatinas. 

“O Paraná já é um polo de destaque nas pesquisas de medicina regenerativa, e agora, por meio desta parceria com a UEPG para estabelecer um biobanco público de células-tronco, o Tecpar reforça o protagonismo do Estado. É um importante avanço científico em uma área extremamente promissora para a saúde pública, que é o tratamento com células-tronco”, afirma Rezende.  

O estabelecimento de um banco e a implantação do controle de qualidade são ações decorrentes de cooperação firmada com a empresa contratada R-Crio Criogenia S/A para processamento das células, com transferência das tecnologias envolvidas para o Tecpar.  O biobanco poderá subsidiar pesquisas de novos produtos que possam vir a ser fornecidos ao Sistema Único de Saúde (SUS). 

Inovação para a sociedade

O coordenador da Unidade Executiva do Fundo Paraná, Michel Jorge Samara, destaca a importância de promover inovação com retorno para a sociedade. "Este projeto é um exemplo do compromisso do governo estadual com o fomento científico e tecnológico, especialmente em áreas estratégicas para a saúde pública".

"Ao fortalecer o ecossistema de pesquisa, os aportes do Fundo Paraná contribuem para que os avanços gerados estejam disponíveis para a população, consolidando o Estado como referência em ciência aplicada à qualidade de vida", pontua o gestor.

Janela de oportunidades

O reitor em exercício da UEPG, Ivo Mottin Demiate, ressaltou que a universidade foi procurada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para uma avaliação de sua condição técnica e estrutura para desenvolver o processo, e que a UEPG está engajada na participação desse projeto.

"Temos um curso de Odontologia reconhecido nacional e internacionalmente, um excelente curso de medicina. O potencial de sucesso é muito grande e estamos com pesquisadores envolvidos nesse processo que se inicia em breve. É uma grande satisfação para a UEPG em poder contribuir com o estudo na fase três de uma solução em saúde pública relevante e inovadora, já que envolve células-tronco", afirma.

A diretora-geral dos HU-UEPG, Fabiana Postiglioni Mansani, salientou que a pesquisa é uma janela de oportunidade para que as crianças e adolescentes fissurados possam se recuperar de maneira menos traumática, menos invasiva e mais sustentável, com o enxerto de células tronco.

"Essa pesquisa desenvolvida no HU-UEPG, tendo a referência do Hospital Universitário Materno-infantil (Humai), dá um protagonismo bastante importante, pois vamos conseguir acolher as crianças e seus familiares e todo o procedimento será feito de maneira segura, eficiente e oportunizando um futuro com qualidade de vida para esses pacientes", afirmou.

Estudo pioneiro

A gerente do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde do Tecpar, Meila Bastos de Almeida, enfatiza que a pesquisa será realizada com extremo rigor ético e técnico em todas as etapas.  A meta é coletar 500 amostras para constituição do biobanco, com garantia de qualidade, rastreabilidade e biossegurança.

“O estudo será conduzido em ambiente hospitalar, sob responsabilidade da pesquisadora principal, Daniela Franco Bueno, parceira nesse projeto, e de equipe multiprofissional habilitada. Tudo de acordo com as normativas éticas e regulatórias aplicáveis à pesquisa com material biológico humano, e com as diretrizes de biossegurança e boas práticas laboratoriais”, explica Meila.  

A previsão é que em 24 meses sejam concluídas as etapas do projeto, que incluem: recrutamento dos participantes, coleta das amostras, processamento e controle de qualidade, armazenamento em biobanco e monitoramento das condições de conservação do material biológico. 

Os resultados da pesquisa são limitados à avaliação da viabilidade, qualidade e adequação das amostras armazenadas, e não estão previstas análises de eficácia clínica ou desfechos terapêuticos. 

Tratamento inovador

A fissura labiopalatina é uma malformação congênita que acontece quando os tecidos do lábio ou do céu da boca (palato) não se fundem adequadamente durante o desenvolvimento do feto. Ela pode ser corrigida por meio de três cirurgias reconstrutivas, realizadas a partir de 3 meses de idade, e acompanhamento multidisciplinar para reabilitação. O tratamento é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O enxerto ósseo secundário é o tratamento considerado padrão-ouro para efetuar o fechamento do osso alveolar. Realizado entre os 7 e 12 anos de idade, pode acarretar morbidade, lesão nervosa, sangramentos, infecções e desconforto na região doadora.

Uma das inovações no tratamento do lábio leporino é a bioengenharia de tecido ósseo, técnica da medicina regenerativa que utiliza células-tronco associadas a biomateriais (naturais ou sintéticos) para regenerar ou substituir tecidos ósseos danificados por traumas, doenças ou defeitos congênitos. 

Com alto poder de regeneração, as células-tronco são capazes de se multiplicar e de se transformar em diversos tipos de células do corpo, como neurônios, células musculares ou sanguíneas. Por isso, o uso da técnica é considerado promissor para o tratamento do lábio leporino, principalmente para a regeneração óssea no céu da boca. (Com assessoria)