No dia seguinte da definição do nome do ex-secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex (PSD), pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), para ser o candidato na busca pela sucessão ao Palácio Iguaçu, a repercussão foi grande entre os deputados estaduais da base governista.
Uma das declarações mais acintosas partiu de um representante dos Campos Gerais, o deputado estadual Moacyr Fadel (PSD), ex-prefeito de Castro. Em um aparte na fala do líder do Governo da Casa, Hussein Bakri (PSD), Moacyr afirmou que não irá apoiar Sandro Alex.
Após a sessão, através de uma nota em seu perfil no Instagram, Moacyr oficializou a decisão de não apoiar o pré-candidato do PSD.
"Minha trajetória política sempre foi pautada por convecções claras, princípios éticos e valores inegociáveis. É com base no que eu acredito e defendo que tomei a decisão de tornar pública minha posição de não apoiar o pré-candidato a governador do PSD", escreveu Moacyr.
Ele continua: "Acredito que a palavra tem valor. Por isso, não seria coerente da minha parte apoiar uma candidatura que nunca esteve nos projetos do grupo e que, na minha visão, não tem as condições necessárias para dar continuidade ao que construímos nos últimos anos".
"Sempre deixei muito clara a minha posição e desta vez não foi diferente. Antes de qualquer manifestação pública, expliquei pessoalmente ao governador Ratinho Junior os motivos que me levaram a tomar tal decisão. Reforço que permaneço na base do governador Ratinho Junior, que tem a minha lealdade e confiança na condução do nosso estado".
"Seguirei cumprindo o meu mandato com responsabilidade e coerência, honrando o compromisso que assumi com cada cidadão que confiou em mim para representá-lo e na certeza de ser fiel àquilo que acredito ser o melhor para o Paraná e para os paranaenses", concluiu Moacyr.
Defesa
Em defesa de Sandro Alex se manifestaram o líder do PSD na Alep, deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli, e o líder do Governo, Hussein Bakri. Ambos disseram acreditar no 'projeto Sandro Alex'. Bakri pediu que os demais integrantes da base encampem a candidatura escolhida pelo governador, enquanto Romanelli foi mais além, e afirmou que vai se arrepender quem não aderir à decisão de Ratinho Junior.
Anibelli Neto, líder do MDB, lamentou a escolha do governador e disse que o partido terá candidato próprio ao Palácio Iguaçu, com Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, e ao Senado, com o ex-senador Álvaro Dias. "O MDB terá candidaturas próprias", cravou Anibelli, até então aliado do atual Governo.
Preocupação
Pelo que consta, existe uma preocupação por parte dos 19 deputados estaduais do PSD com suas reeleições. Isso porque, no entendimento de muitos, a candidatura de Sandro é uma incógnita, e pode não decolar, como aconteceu com a pré-candidatura de Guto Silva, ex-secretário das Cidades. Desta forma, sem um cabeça de chapa forte para o Governo, os votos na legenda, que ajudam a eleger mais deputados, podem ficar aquém do esperado por eles, deixando muitos de fora da Alep.
Além disso, o candidato à Presidência do PSD, Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, é outro que não empolga, diante da polarização entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o atual presidente Lula (PT). Ou seja, outro que também não deve agregar em relação aos votos de legenda.