A decisão anunciada na segunda-feira (24) pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), de que não levará adiante o projeto da pré-candidatura à Presidência da República e que ficará até o fim do mandato no Palácio Iguaçu, pegou até aliados próximos de surpresa. O anúncio oficial da pré-candidatura tinha até data marcada, no próximo dia 31 de março, em Brasília. Mas agora tal candidatura já faz parte do passado.
Em nota, Ratinho alegou que questões familiares foram preponderantes para a tomada de decisão. Entretanto, nos bastidores a informação que circula é de que ele desistiu de um cenário incerto de polarização na disputa pela Presidencia, para se dedicar integralmente ao projeto de fazer o seu sucessor no Governo.
A ida de Moro para o PL ascendeu o sinal de alerta total no grupo liderado por Ratinho Junior. A situação que já não era fácil, com o ex-juiz liderando todas as pesquisas de opinião até o momento com mais de 40% das intenções de voto, ficou ainda mais difícil no momento em que o senador viabiliza partidariamente sua candidatura ao ir para o PL. E isso com as bençãos do principal candidato da direita ao Governo Federal, o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com a situação confortável de Moro diante do eleitorado, registrada pelas pesquisas, e a entrada no principal partido da direita - o PL tem amplo tempo de TV e recursos consideráveis do Fundo Eleitoral -, o governador decidiu se dedicar integralmente na campanha de quem vier a ser o candidato do PSD ao Governo do Estado.
Quem será o escolhido?
O nome de preferência do chefe do Executivo é o do secretário das Cidades, Guto Silva, mas também está no páreo o nome do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi. Outro nome que até então era cotado, do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, atual secretário do Desenvolvimento Sustentável de Ratinho Junior, saiu do páreo ao deixar o PSD e ingressar no MDB.
Greca vai buscar viabilizar uma candidatura sem o apoio do governador. Ele é, porém, um dos nomes favoritos para a vaga de vice, numa possível futura composição PSD-MDB.
Agora, Ratinho Junior terá mais tempo para se dedicar ao trabalho de manter o grupo unido e traçar a melhor maneira de buscar reverter os 85% de aprovação do seu Governo em votos para o escolhido no projeto de sucessão. Mantendo-se no Governo, ele tambem mantém a caneta cheia e uma proximidade maior com prefeitos Paraná adentro. Se fosse candidato a presidente, teria que renunciar ao cargo até 4 de abril.
Portanto, diante de um cenário com Moro, com o candidato a ter o apoio de ratinho Junior e mais um representante da esquerda, que tende a ser o deputado estadual Requião Filho (PDT), a disputa pelo Palácio Iguaçu tem tudo para ser uma das mais acirradas da história recente do Paraná.