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Quinta-feira, 12 de março de 2026
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Eleições 12/03/2026

Kuller, Mabel, Stocco e a dificuldade na reeleição de Rangel

O cenário de 75% de aprovação do Governo Elizabeth deixa para oposição 25% dos votos em PG, dos quais Stocco e Mabel predominam. Kuller será o candidato do Governo e sobrará pouca margem para sobrevivência do ex-prefeito

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Kuller, Mabel, Stocco e a dificuldade na reeleição de Rangel

Estamos há pouco mais de cinco meses para o início da campanha eleitoral de 2026, marcada para 16 de agosto, e o cenário de disputa para a Assembleia Legislativa em Ponta Grossa vai se consolidando. Nele, quatro nomes se sobresaem: os atuais representantes, Mabel Canto (PP) e Marcelo Rangel (PSD), e os vereadores Julio Kuller (União) e Geraldo Stocco Filho (PV).

Todos vão depender de conquistar uma votação expressiva em Ponta Grossa para se eleger. Um universo de cerca de 200 mil votos, a se considerar o número de eleitores que foram às urnas em 2024. A se considerar a vitória da prefeita Elizabeth Schmidt (União) nas últimas eleições e a atual aprovação de seu Governo, na casa dos 75%, restam 25% do mercado eleitoral para a oposição.

Diante desses números, depois que a chefe do Executivo abraçou a pré-candidatura do presidente da Câmara, Julio Kuller, ele deve receber os votos de quem aprova o Governo Betinha. A ideia é de que ele venha a ser o representante do novo grupo político da prefeita no Legislativo Estadual. Claro que, a transferência dos votos daqueles que aprovam Elizabeth não será total ao candidato que tem seu apoio, mas nesse nicho a divisão tende a ser com Mabel Canto.

Nos 25% que não aprovam o Governo, Mabel também terá forte entrada, uma vez que foi ela quem disputou o segundo turno com Elizabeth e é a principal opositora. Outra parcela dos que desaprovam a administração tende a ir com Stocco, que encabeça a ala oposicionista na Câmara e tem usado bem as redes sociais politicamente em seu favor. Não é à toa que foi o vereador mais votado em 2024, com uma votação histórica de mais de 8 mil votos.

Tem também uma parcela dos votos que sempre vai para candidatos de fora da cidade.

Cenário desfavável

Dentro deste contexto, o quadro eleitoral passa a ser de grande dificuldade para uma reeleição do ex-prefeito Marcelo Rangel. Depois de passar boa parte do atual mandato na então recém-criada Secretaria Estadual de Inovação, com poucos investimentos nos municípios, e posteriormente romper com Elizabeth e perder a eleição para Prefeitura sem ir para o segundo turno, mesmo com o apoio total do governo do Estado, Rangel sofre um significativo desgaste político-eleitoral em Ponta Grossa, que certamente será sentido, novamente, nesta campanha.

Outro agravante, é o partido pelo qual ele buscará a reeleição, o PSD, que tem a maior bancada na Assembleia, com 15 parlamentares, e que, somados a outras lideranças Paraná adentro, terá um time de peso disputando as mesmas vagas que o ex-prefeito.

Em rodas de conversa na Assembleia, aquelas em que deputados e assessores fazem uma lista de quem fica e quem sai para a próxima legislatura, o nome de Rangel está de fora. O entendimento é de que, além do cenário desfavorável em Ponta Grossa, o trabalho na região também não foi consolidado com a formação de um grupo de lideranças, a ponto de garantir os votos necessários para uma reeleição.

Portanto, com Kuller, Mabel e Stocco em um momento político mais satisfatório, Rangel corre sérios riscos de ficar sem mandato.