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Quarta, 28 de outubro de 2020
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PT busca retornar à Prefeitura de PG após 20 anos com o Profº Edson Silva

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PT busca retornar à Prefeitura de PG após 20 anos com o Profº Edson Silva

O Partido dos Trabalhadores (PT) busca retomar o protagonismo de outrora em Ponta Grossa. O partido comandou a Prefeitura Municipal entre 2001 a 2004 quando Péricles Holleben foi prefeito. Em 2020, duas décadas depois da vitória do petista, o PT lança a candidatura de Professor Edson Armando para disputar o comando do Palácio da Ronda - o projeto tem como vice o pastor João Carlos (PCdoB).

Edson Armando foi o primeiro entrevistado da série de sabatinas feitas pelo portal aRede, Jornal da Manhã e blogdodoc.com. Nesta sexta-feira (18), Edson foi sabatinado pelo jornalista Eduardo Farias, editor do Doc.com, com transmissão ao vivo nas redes sociais. Acompanhe a sabatina completa abaixo:

Eduardo Farias: Quais são as principais pretensões da sua candidatura?

Professor Edson Armando: Pretendo representar um grupo de pessoas que estão comprometidas com uma sociedade mais justa e mais igualitária. Aquelas pessoas menos favorecidas que, efetivamente, precisam da Prefeitura. Neste primeiro momento, minha preocupação não são os outros candidatos, mas sim a nossa proposta de governo. Queremos que essa proposta seja conhecida e debatida. Esperamos que ela influencie de uma maneira ou de outra. Se vencermos, pretendemos implementar este plano. Em caso de derrota, esperamos que essas propostas fiquem, uma vez que ideias são sementes e sementes transformam a realidade.

EF: Como funcionou a composição com o PCdoB?

Edson: É uma alegria muito grande poder fazer essa parceria. O PCdoB vinha conversando conosco desde o primeiro momento. Em certo ponto eles sinalizaram com uma candidatura própria e, posteriormente, decidiram trabalhar pela unidade e vieram nos apoiar. Nos apontaram o Pastor João Carlos, que é uma pessoa muito ligada à assistência social. Ele faz parte do Exército da Salvação, que preza muito por esse cuidado com as pessoas. Este é nosso ponto de contato. Ao mesmo tempo, temos uma proposta de governo que pretende cuidar da população e o pastor tem isso como essência.

EF: Como o plano de governo do PT foi composto? Quais são os principais pontos do programa?

Edson: O primeiro elemento são princípios gerais de gestão, que devem estar integrados com as propostas. A Prefeitura é e sempre foi incapaz de atender o conjunto das demandas da população e de promover, sozinha, o desenvolvimento social. Isso ocorre porque uma sociedade é composta de diversos organismos, instituições e forças sociais. A partir do momento que essas forças não são devidamente articuladas, o desenvolvimento social e econômico não acontece.

EF: Quais são as ideias do PT para essa gestão?

Edson: A primeira ideia é ver a Prefeitura como indutora do desenvolvimento, permanecendo em constante diálogo com a população e com as instituições. Quero conversar com a ACIPG e o Sindicato Rural, por exemplo, independentemente de um posicionamento contrário às nossas propostas. Tenho consciência que o conjunto da sociedade só funciona por meio do diálogo. Estamos trazendo várias propostas e colocando elas à disposição de todas as pessoas. O segundo eixo diz respeito aos princípios gerais de administração. É fundamental modernizar a Prefeitura e valorizar o servidor público, colocando os instrumentos adequados nas mãos deles. Hoje, o poder do celular e das tecnologias em geral, traz uma série de novas possibilidades, que devem ser integradas. Como tema central, é preciso cuidar das pessoas.

EF: Qual o nome da coligação?

Edson: O nome da Coligação é “Ponta Grossa para você”. Cada parte do plano de governo traz um verbo que expressa um conjunto de ações, que não são divididas em secretarias. Estamos organizando por projeto, como educação, assistência social, segurança, saúde. Todas trabalhando de maneira integrada.

EF: Quais são as propostas do PT para a Educação?

Edson: Penso que a educação é um eixo central, visto que é o equipamento público mais bem distribuído na sociedade. A Prefeitura tem uma presença nos bairros mais distantes através da escolas. Logo, esses espaços tem que ser pontos de cultura, devem estar abertos ao diálogo com o público. As escolas têm de ter ampliada a sua capacidade de analisar a realidade e contribuir com o planejamento. A partir da escola, é possível observar problemas que acontecem no entorno das comunidades. Nesse sentido, é possível trabalhar de maneira integrada com a segurança e com a saúde, por exemplo.

EF: O que o PT pensa sobre segurança pública?

Edson: A Guarda Municipal, criada no governo Péricles, precisa ser retrabalhada com uma outra cultura, a cultura da paz, da prevenção e da mediação do conflito. Assim, GM, escola e assistência social podem trabalhar de forma conjunta

EF: O que o PT pretende fazer para enfrentar a falta de empregos na cidade?

Edson: Historicamente, Ponta Grossa gera mais empregos do que a média estadual e nacional, já que possui uma característica de cidade média e de entroncamento rodoviário e ferroviário. Essas características possibilitam a instalação de indústrias e empresas. Cabe à prefeitura deve organizar a infraestrutura para que isso aconteça. É preciso pensar, de maneira especial, na geração de emprego dentro das periferias. É preciso implementar diferentes estruturas, como por exemplo o estímulo à agricultura familiar e à agroecologia, que demandam uma grande quantidade de mão de obra. Estamos propondo a instalação de dez barracões de comercialização e processamento como forma de geração de renda distribuída entre os bairros. Acho que a Feira Verde é um pequeno exemplo de um planejamento que pode ser multiplicado por mil, ampliando estímulo na produção e integrando grupos urbanos que trabalham com a coleta de resíduos sólidos.  Não pretendemos abandonar as formas de geração de empregos tradicionais, mas penso que podemos estimular, valorizar e integrar conhecimento acadÊmico para criar uma nova cadeia produtiva.

EF: Qual é o histórico que o PT trará do Governo Péricles?

Edson: É um momento diferente. Fui coordenador do projeto de modernização administrativa, que continua sendo válido e necessário. Não adianta ter milhares de servidores se eles não tiverem os instrumentos adequados. Podemos, sem ampliar o quadro, ser muito mais eficientes agregando conhecimento, treinamento e tecnologia para os servidores. Este é um dos elementos que pretendemos trazer do governo Péricles, com uma tecnologia muito mais avançada. O Orçamento participativo não pode ser mais naquele molde estabelecido à época. É preciso integrar tecnologia e permitir uma participação mais ampla em relação ao que era feito no formato de assembleias. O princípio de participação popular continua válido, mas a forma não pode ser a mesma. Em determinados pontos, falhamos no diálogo com a sociedade. A reforma do calçadão feita antes do natal, por exemplo, gerou certa revolta. Se tivéssemos nos comunicado melhor, teria sido diferente, já que a reforma era necessária.

EF: Como o PT se porta diante das críticas feitas ao partido?

Edson: Sempre é preciso estar aberto. A posição de não querer ouvir, não é inteligente. É preciso ouvir todas as propostas e verificar qual é mais adequada. A pessoas dizem que não votam no PT, porque é um partido corrupto. Nessa afirmação, existem alguns fatos que são ignorados.  Na filosofia política se diz que a corrupção é um atributo do sujeito. Quem é corrupto é a pessoa, não a instituição. Em todas as instituições existem pessoas muito boas, generosas e trabalhadoras, mas também existem pessoas corruptas. O PT representa mais de seis milhões de pessoas em todo o Brasil e cerca de 3,5 mil em Ponta Grossa. Os líderes do PT que erraram, foram punidos. Existem outros líderes em outros partidos. Alguns foram punidos, outros não. Se as pessoas abrirem a mente, as pessoas podem separar o joio do trigo e escolher o melhor para Ponta Grossa.

Currículo

Professor de carreira da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Edson Armando atua no Departamento de História da Universidade. Militante histórico do PT em Ponta Grossa, o professor fez parte do governo de Péricles de Mello na prefeitura (2001-2004) e agora busca reconstruir o partido na cidade. Armando tem reestruturado a legenda na cidade após os consecutivos revezes do partido. Em 2020, Armando lidera a chapa do PTna disputa pelo comando da Palácio da Ronda. (As informações são do portal aRede)

Assista na íntegra a entrevista: