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“Uma universidade que se confunde com a própria cidade”, ressalta reitor da UEPG

Professor do Departamento de Estudos da Linguagem e reitor da Universidade Estadual de Ponta Grosa (UEPG), Miguel Sanches Neto ressalta a importância política e econômica de Ponta Grossa e diz que a instituição se confunde com a própria cidade. ‘Boa parte das empresas de construção civil, de agronegócio, de indústrias de pequeno e médio porte, de clínicas e outras pessoas jurídicas locais tem na sua fundação um profissional ligado à UEPG. Avançamos muito. E isso nos obriga a avançar mais e mais’, assinala. (As informações são do JM e aRede)

Em entrevista ao Jornal da Manhã e ao Portal aRede, o reitor diz que do ponto de vista urbanístico, a cidade tem que enfrentar um grande desafio, que são os vazios urbanos, que precisam ser ocupados, quando for adequado, e precisavam ser preservados, quando fora área de relevância ambiental.  ‘A criação de novos espaços de lazer público, à maneira do Lago de Olarias, é outra demanda, pois uma cidade cresce quando a sua população encontra nela oportunidades de lazer. Também será necessário fortalecer o turismo ecológico, que, sem dúvida, é uma das maiores riquezas dos Campos Gerais’, pontua.

Acompanhe os principais trechos da entrevista

JM – Como o senhor analisa o atual momento político e econômico de Ponta Grossa?

Sanches Neto – Primeiro polo de interiorização das conquistas civilizatórias do Paraná, Ponta Grossa chega aos 197 anos com uma vocação sólida para a inovação, a indústria, o turismo ligado ao meio ambiente e o ensino superior. Comparativamente, está para o Paraná assim como Campinas está para São Paulo. A proximidade com a capital que, em outros momentos, pode ter limitado o crescimento urbano, é hoje fator de desenvolvimento social e de interesse nacional e internacional por parte de diversas empresas. Assim, Ponta Grossa volta a se colocar em um lugar de protagonismo na dinâmica dos investimentos no Brasil.

JM – Como aconteceu essa transformação do Município?

Sanches Neto – Se dividirmos nossa história em três grandes momentos, veremos que houve um período ligado às atividades pastoris e rurais, a do tropeirismo, responsável pela colonização da região e fundação do município. Esta fase é concluída com a chegada da estrada de ferro em 1894, com a ligação a Curitiba e a Paranaguá, e em 1899, com o início da ligação entre São Paulo e Rio Grande do Sul. Com a modernização das vias de comunicação, surgem as indústrias, os investimentos em prédios monumentais, o fortalecimento do comércio, a exportação de produtos naturais e manufaturados, e uma classe trabalhadora que modifica o perfil social da cidade. Passamos a ser, nas primeiras décadas do século XX, uma urbe moderna, porta de entrada de imigrantes e centro comercial e bancário.

JM – Qual a relação da constituição da UEPG com a integração rodoviária?

Sanches Neto – O terceiro momento se dá em meados do século XX, com a criação das faculdades isoladas, um projeto que se estendeu por anos, com tentativas frustradas, até que este fragmentado ensino superior se une para constituir a Universidade Estadual de Ponta Grossa, em 1969. A partir desta última fase, se dá também a integração do sistema rodoviário, que reforça a nossa vocação de cidade convergência, com a inauguração da Rodovia do Café em 1965. A indústria sofre novo crescimento e se instala a Ponta Grossa contemporânea, em que a vocação agropecuária se soma à vocação industrial e tem no ensino um elemento dinamizador.

JM – Qual é o foco da UEPG neste atual momento de enfrentamento da pandemia?

Sanches Neto – Novas universidades e centros de ensino superior, nas últimas décadas, fortalecem o papel de cidade universitária, que é o que somos hoje. Com este histórico, Ponta Grossa vive um momento privilegiado, e tem plenas condições de superar os desafios impostos pela pandemia. Neste sentido, a Universidade Estadual de Ponta Grossa tem focado na interação com a indústria e com o comércio, seja através de seus laboratórios e pesquisadores, colocando seu sistema de pós-graduação e pesquisa em sintonia com as demandas locais, seja através do planejamento de estratégias para o pós-pandemia. Neste quesito, um grupo de professores produziu um plano de ação para as principais áreas de nossa economia, como forma de criar perspectivas adequadas ao momento. Inauguramos o primeiro Hub de Inovação da cidade e um Centro de Educação Empreendedora para dar suporte a estas políticas de geração de renda.  Por meio de nossos cursos, fixamos profissionais altamente qualificados no município, dando as condições de novos arranjos empresariais, dinamizando a economia local. Boa parte das empresas de construção civil, de agronegócio, de indústrias de pequeno e médio porte, de clínicas e outras pessoas jurídicas locais tem na sua fundação um profissional ligado à UEPG. Avançamos muito. E isso nos obriga a avançar mais e mais.

JM – Pontua, por gentileza, os principais desafios de Ponta Grossa

Sanches Neto – Do ponto de vista urbanístico, a cidade tem que enfrentar um grande desafio, que são os vazios urbanos, que precisam ser ocupados, quando for adequado, e precisavam ser preservados, quando fora área de relevância ambiental.  A criação de novos espaços de lazer público, à maneira do Lago de Olarias, é outra demanda, pois uma cidade cresce quando a sua população encontra nela oportunidades de lazer. Também será necessário fortalecer o turismo ecológico, que, sem dúvida, é uma das maiores riquezas dos Campos Gerais. Como principal ação estratégica, creio que seja a criação de um grande porto seco e a ampliação de nosso aeroporto. É preciso também entender que o desenvolvimento de uma cidade só acontece quando há uma melhor distribuição de renda, daí a necessidade de investir em qualificação e em projetos que democratizem a produção de bens materiais. Fazer crescer a classe média é crucial para que Ponta Grossa seja cada vez mais um espaço de todos e para todos. Para estas ações, a Universidade Estadual de Ponta Grossa, que traz em seu nome a própria cidade, está sempre pronta, porque acreditamos que sem parcerias da sociedade com a universidade não há crescimento responsável.

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