Ponta Grossa

Saiba como o isolamento social afeta na saúde mental do idoso

Sem a vacina, o isolamento social tem sido o melhor método de prevenção. Afinal, os idosos fazem parte do grupo de risco da doença. Em Ponta Grossa, das 12 mortes que aconteceram, 4 das vítimas tinham mais de 60 anos.  Entretanto, a psicóloga e especialista em neuropsicologia, Lílian Yara de Oliveira Gomes, alerta que mesmo com a pandemia os idosos precisam da atenção dos seus familiares.

Conforme a psicóloga, estar isolado do convívio da sociedade não é tarefa fácil e alguns idosos se sentem deixados de lado pela família. “Tenho recebido muitas queixas de pacientes idosos, que fazem parte do grupo de risco, acerca de estarem se sentindo abandonados pelos seus familiares, que não recebem atenção, cuidados e nem são ouvidos”, relata Lílian.

A psicóloga ressalva que essa falta de cuidado não é um tratamento adequado e reflete sobre a importância das pessoas mais velhas na vida de cada um. “Eles merecem toda a nossa atenção, pois são sujeitos de direitos, que nos antecederam, trabalharam de alguma forma para que pudéssemos existir, nos deram a vida, nos propuseram oportunidades de crescimento pessoal e profissional”. Ela destaca ainda que o distanciamento afetivo pode causar ansiedade, depressão “e até complicações nas enfermidades pré-existentes”.

Por isso, a recomendação é que os familiares estejam atentos ao comportamento dos idosos e estabeleçam formas de comunicação “que demonstrem interesse, presença, mesmo que virtual e afeto”, completa. O isolamento social, não deve ser sinônimo de abandono. “Não devemos isolá-los completamente. Esse é o momento de marcarmos presença por telefone, por vídeo-chamada, pelo envio de um pedaço de bolo”, orienta. Para a psicóloga, todo gesto simples é capaz de fazer a diferença.

Lílian lembra que a depressão pode acontecer em qualquer idade. “Porém, como estamos passando por um período de isolamento social, essa pode se instalar por diversos fatores, como pela perda da autonomia, da liberdade, da restrição ao contato com familiares e amigos, do desgaste emocional e pelo medo de que essa situação perdure pelo resto de suas vidas”, explica. Segundo a psicóloga, entre as pessoas com mais de 60 anos é comum o sentimento de que não vão viver por muito tempo “e com isso se entristecem, não se sentem úteis, estabelecem limites relativos à própria idade, não se sentindo capazes e se percebendo menos produtivos”, explica.

Nessa faixa etária, a depressão se instala com sintomas de maior isolamento, choro fácil, falta de iniciativa, desmotivação e falta de apetite. “E principalmente ausência de ânimo, de produção, esquecimento quanto aos hábitos de higiene, de tomar medicações e quando mais grave, desistência à própria vida”, esclarece Lílian.

Para melhorar a saúde mental dos idosos em tempos de isolamento. A psicóloga dá algumas dicas: conheça os hábitos do idoso e respeite-os; estabeleça contato, se possível diariamente; leve-o para passeios em lugares seguros, como um campo ou uma chácara,  onde não haja aglomerações; incentive a tomar sol e a realizar exercícios que envolvam a memória, o raciocínio; se tiverem o hábito da leitura, compartilhe o assunto; se o idoso gostar de animais estimule-o a conviver mais com eles; incentive a realizar algum exercício físico dentro das possibilidades permitidas pela idade; motive a fazer relaxamento, ouvir música.

“Fazê-los entender que isolamento não significa cortar relações e que eles não precisam sentir-se tão solitários; acompanhar se estão se alimentando adequadamente e aqueles que tiverem alguma enfermidade, acompanhar se estão cuidando da sua saúde bem como seguindo com a sua medicação”, complementa Lílian.

A psicóloga ainda aconselha a observar e orientar quanto aos cuidados com a higiene, como lavar as mãos frequentemente, tirar os sapatos e trocar de roupa se sair de casa e evitar o contato físico, como beijos e abraços. “Embora a saudade peça isso”, diz. Lílian sugere também “sempre dar notícias da família; enviar alimentos; perguntar como esse idoso está se sentindo; ouvi-lo; demonstrar interesse por ele”.  Porém, a dica mais importante é não abandonar os idosos ou deixar com que se sintam esquecidos. “Dar-lhes atenção, afeto e muito amor”, finaliza.

 

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