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Leilão de imóveis, privatização do Aeroporto e ‘sistema militar’ para comissionados estão entre as propostas de Márcio Ferreira

O ex-secretário de Obras Serviços Públicos do Município, Márcio Ferreira (PSL), foi o segundo entrevistado do jornalista Eduardo Farias na série de entrevistas com os pré-candidatos à Prefeitura de Ponta Grossa. A entrevista ocorreu no programa ‘Doc.com na Rede!’, iniciativa entre o Portal aRede! e Jornal da Manhã com o blododoc.com. Confira os principais pontos da entrevista:

Eduardo Farias: A partir do momento que você deixa o Governo, dentro do prazo de desincompatibilização, dá sinais que você realmente pretende e deve participar das eleições. Como está esse projeto?

Márcio Ferreira: Nesses oito anos que eu participei do Governo do prefeito Marcelo Rangel nós pudemos fazer um raio-x de toda a nossa cidade. Eu andei em todos os 14 bairros, 120 vilas e os quatro distritos. Eu tenho conhecimento de toda a dificuldade, que todas as pessoas têm, para ter uma vida digna e proveitosa em nossa cidade.

Em todos os lugares que eu fui, a população sempre me recebeu de braços abertos e mostrou quais são as dificuldades e o que eles querem de cada candidato a prefeito. Nós temos um plano de governo sendo montado para que a gente possa trazer progresso, prosperidade e qualidade de vida aos ponta-grossenses.

EF: Você saiu com a sensação de dever cumprido do Governo?

MF: Em todos os lugares que nós passamos, tivemos uma atuação muito boa. Com toda a humildade. Na Câmara dos vereadores, ficamos um ano lá e 100% dos projetos do Governo Municipal foram aprovados. Na Secretaria de Abastecimento, quando nós assumimos, devido aquele furto gigantesco, nós deixamos a casa em ordem. Nós, inclusive, entregamos a Secretaria, para o outro secretário, com R$ 4 milhões em caixa.

Não houve o desvio de cinquenta centavos; não houve a perda de produtos; não tivemos produtos furtados, não tivemos produtos vencidos e ainda acrescentamos ao Feira Verde ovos, leite, mel e outros produtos. Na ARAS (Agência Reguladora de Águas e Saneamento Básico), nós iniciamos as obras no Lago de Olarias, fizemos todos os gabiões e na Secretaria de Obras fizemos as praças sustentáveis.

EF: Filiado ao PSL, partido do presidente, você pretende ocupar um espaço dessa parcela da população de direita?

MF: Eu sempre fui de direita, desde a época da universidade. Travei diversos embates com o PT, PCdoB, naquela época, mas todas essas pessoas são meus amigos, eu respeito. Sou jornalista, formado pela UEPG, eu respeito a liberdade de expressão. Eu tenho comigo que, se não houver liberdade de expressão, não tem porque você ser candidato a alguma coisa.

No meu modo de ver, o PSL tem uma ideologia que bate mais com que eu penso. É um partido que serviu ao presidente Bolsonaro, sou um candidato que vai ter portas abertas com o Governo do Estado, Governo Federal e também com o prefeito Marcelo Rangel, após ele deixar o cargo, e o secretário Sandro Alex que são meus amigos pessoais há mais de 30 anos.

EF: Há uma possível candidatura da vice-prefeita, Elizabeth Schmidt (PSD). Vai ter duas candidaturas do Governo Municipal? Lá na frente pode ser juntar em uma?

MF: Há oposição tem seis candidatos. Por que a situação não pode ter dois? E, composições assim bem definidas. Eu tenho o maior respeito pela professora Elizabeth, uma pessoa que admiro, sou fã, amigo dela, amigo dos filhos dela. Acho que ela pode ser uma excelente prefeita, assim como foi uma excelente vice.

Mas, eu tenho também minhas ideias, propostas. E, eu pedi ao prefeito que me permitisse ser candidato até para ter certeza que as obras, que estão sendo feitas no governo do prefeito Marcelo, prossigam. Tanto eu, como a professora faremos isso. Infelizmente, alguns candidatos já se posicionaram contrários a muita coisa: por exemplo, escolas em tempo integral.

EF: Uma possibilidade de unir um de vice, outro de candidato, existe ou está definida sua candidatura majoritária para prefeito?

MF: Quando eu ponho minha assinatura num lugar, essa assinatura vale. Eu sou candidato até o final. A não ser que aconteça alguma coisa que não esteja no script.

EF: Geração de empregos, investimentos, parcerias público-privadas, qual é o seu pensamento a esse tipo de projeto para a cidade?

MF: Primeiramente, eu vou prestigiar nosso material humano. Nós temos 9,5 mil funcionários na Prefeitura, 5,4 mil estão na educação e 2,1 mil na saúde. Esses funcionários é que cuidam da nossa infância, dos nossos idosos, de todos os ponta-grossenses. Essas pessoas precisam ter estrutura para dar um bom atendimento a toda população.

A saúde, a segurança e a educação serão prioridades absolutas. Vou cortar todo e qualquer tipo de privilégio. Eu mesmo cortei os meus: eu nunca usei celular da Prefeitura, eu não faço diárias, nunca faltei um dia do meu trabalho, deixei meu imposto de renda todos os anos à disposição da imprensa e dos ponta-grossenses. O meu discurso é o meu exemplo.

EF: A concessão do transporte público termina no final de 2022. Como você pretende tratar desse assunto bastante discutido no meio público?

MF: Não tem como tratar desse assunto sem conversar com toda tua equipe, com os vereadores e com a empresa. Eu vi um outro candidato que esteve aqui na semana que disse ‘não vou conversar com a empresa’. Quem ele pensa que é. Ele acha que ele é um ditador que não vai conversar com uma empresa que tem tantos anos de bons serviços prestados, milhares de empregos.
Isso é o cúmulo, um desrespeito com os trabalhadores, com o empresário e a comunidade de Ponta Grossa que precisa desse serviço. Vamos dialogar, sim, com a empresa, vamos chamar eles para conversar e reavaliar esse contrato. E, se for o caso, fazermos em 2022 uma nova licitação a nível nacional.

JM: Quais outros temas também que você pretende abordar, trazer à tona, durante a sua campanha eleitoral?

MF: Nós não temos condições mais de manter estruturas pesadas na Prefeitura. Hoje, 1.080 imóveis, temos que coloca-los num leilão, de repente até dar uma oportunidade aos funcionários que têm precatórios possam adquiri-los, até mesmo em condomínios. Nós precisamos capitalizar a Prefeitura.

Temos hoje um orçamento de R$ 1 bilhão, 9,5 mil funcionários, sendo 1,6 mil aposentados e 800 estagiados, 300 comissionados. Muitas pessoas criticam os comissionados. Os comissionados no Governo Marcelo Rangel batem cartão-ponto, trabalham, e trabalham muito, e representam apenas 3% da folha. Essa história que demitindo os comissionados nós vamos resolver o problema da Prefeitura é demagogia, mentira.

EF: Como você pretende manter a sua relação com o Governo do Estado?

MF: Mesmo com a pandemia, nós temos obras gigantescas sendo construídas. Vamos ter a trincheira da Tetra Pak, da Boscardin e da Souza Naves. Então, são obras bilionárias que já estão ajudando a nossa economia. Eu não vejo como uma administração municipal não estar trabalhando junto com o Governo Estadual ou Federal.

Candidatos que, com todo o respeito, de ideologia esquerdista, querem transformar nossa cidade numa Cuba, nós vamos ficar isolados aqui no Paraná. Nós temos que trabalhar em conjunto, nós temos portas abertas. Sempre trabalhando com o respeito a todos os Poderes. O Legislativo tem que nos ajudar, trabalhei um ano na Câmara, vamos ter muito diálogo.

EF: Você acabou sendo conhecido como o ‘Secretário Superman’. Você tem algum receio que isso possa ser visto como uma questão folclórica para o cargo que disputa?

MF: Nenhum. A minha camisa eu uso em homenagem aos nosso funcionários: eles sim são os verdadeiros super-homens da cidade. Eles trabalham no tempo, no frio, na chuva, no vento, são pessoas que ganham salários mais baixos da Prefeitura e foi uma maneira que eu encontrei de elogiá-los. É só isso.

Nunca puxei para mim essa camiseta do Superman. Eu gosto dos filmes da Marvel e da DC desde criança, tenho centenas de coleções de revistas, livros, miniaturas dos heróis. É uma coisa que eu gosto desde criança, que eu mantive e que me deu a oportunidade de pensar em uma homenagem aos funcionários.

Confira a entrevista de Márcio Ferreira no programa Doc.com na Rede! na íntegra:

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