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Wandscheer libera emendas e busca manter Pros unido após ‘chegada’ de George

O deputado federal Toninho Wandscheer (Pros) cumpriu agenda em Ponta Grossa nesta segunda-feira (6), para a entrega de três emendas à UEPG – que somam R$ 1,3 milhão -, e aproveitou para sentir como está o clima intrapartidário no Partido Republicano da Ordem Social, depois do ‘prévio agasalhamento’ dado ao vereador George Luiz de Oliveira, que ainda está no PMN, mas que pretende ingressar no partido caso consiga autorização da Justiça Eleitoral, em processo que está tramitando.

Wandsheer é o manda chuva do Pros no Paraná e uma das principais lideranças nacionais da agremiação. É presidente estadual e líder do partido na Câmara, onde também acumula o posto de coordenador da bancada paranaense. É nascido em Foz do Iguaçu, mas com carreira política alicerçada em Fazenda Rio Grande, município da região metropolitana de Curitiba, o qual ajudou no processo de emancipação, na década de 90. Foi duas vezes prefeito da cidade (2001 a 2008), depois se elegeu deputado estadual (2010) e posteriormente federal (2014) pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em 2015 deixou a legenda, indo para o Partido da Mulher Brasileira (PMB) e na sequência, em 2016, para o Pros, se reelegendo em 2018.

O parlamentar tem tentado manter uma base de atuação em Ponta Grossa, assim como em outros municípios dos Campos Gerais. Nas últimas eleições municipais, participou das conversas que resultaram na candidatura do ex-vereador Júlio Küller a prefeito, pelo PMB – embora o deputado não estivesse mais na sigla, deixou um dos seus filhos no comando da legenda no Paraná -, mas a cartada acabou não dando o resultado esperado. Entenda-se, votos nas urnas em 2018.

Baixa votação

Wandsheer obteve míseros 107 votos em Ponta Grossa no último pleito, o que representa 0,06% em um universo de mais de 237 mil votantes.  Fato, no mínimo, curioso, tendo em vista que a chapa pura do partido na cidade surpreendeu e conseguiu eleger em 2016 dois vereadores, com Valter de Souza (1.933 votos) e Sargento Guiarone (1.050 votos), sendo o quinto partido mais votado para Câmara.

Valtão, um dos principais articuladores na composição da chapa em 2016, acabou deixando a sigla e já estava no PP em 2018.

A saída de Valtão e o resultado irrisório nas urnas devem ter feito Wandsheer repensar a organização do Pros em Ponta Grossa. Recentemente, a nova diretoria municipal da legenda foi eleita, com Ulisses Coelho na presidência e Sargento Guiarone na vice. O que chamou a atenção foi a condução de George Luiz de Oliveira Junior, filho do vereador George, como secretário-geral da sigla. Fato que mostra a conquista de espaço do parlamentar no Pros, mesmo sem estar filiado.

Pedido de desfiliação

George entrou em rota de colisão dentro no PMN, com o deputado estadual Dr. Batista, depois de forçar uma candidatura ao Senado em 2018. Dessa forma, entrou com pedido de desfiliação da legenda, alegando perseguição política. Pela lei da fidelidade partidária, um político só não perde o mandato ao sair da legenda em que se elegeu se for expulso, provar perseguição ou ir para um novo partido.

Caso não consiga provar que houve tal perseguição, George só poderá se filiar ao Pros na janela para troca de partido, em março do próximo ano. Assim, com a colocação do filho na diretoria, assegura seu ‘lugar ao sol’ nos debates da sigla desde já.

Assusta os demais

É nítido que George conseguiu uma aproximação grande com Wandsheer, mais do que o próprio Guiarone, eleito pela legenda, e também do que outras lideranças que compuseram a chapa em 2016. Isso causou insatisfação em tais lideranças, que, pelo que se sabe, não querem dividir chapa com George ano que vem. Tido como medalhão na política local, em seu quinto mandato na Câmara, o vereador ‘assusta’ os demais correlegionários quando o assunto é voto.

Diante disso, Wandsheer tentará manter o Pros atuante na cidade, mas não será uma tarefa fácil, pois tanto Guiarone quanto as demais lideranças com votos do partido já estariam planejando uma debandada. O primeiro, porém, somente para quando abrir a janela de mudança partidária.

Vale ressaltar que a partir das próximas eleições não será permitida coligação para a disputa de vereador. Ou seja, ou o partido se organiza e monta uma chapa forte para alcançar os votos necessários, ou estará fadado ao fracasso.

Foto: Kauter Prado\Câmara

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