Ponta Grossa

Proex reabre Museu Campos Gerais nesta semana

A Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Culturais (Proex) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) reabre esta semana o Museu Campos Gerais. A apresentação para a imprensa e servidores da instituição acontece na sexta-feira (12), às 9h. Já a cerimônia com autoridades e abertura ao público inicia às 19h. No fim de semana, o museu permanece aberto no sábado (13), das 9h às 11h45 e das 13h30 às 17h, e no domingo (14), o horário é das 13h30 às 17h.

Com entrada gratuita, a agenda do MCG depois da inauguração prevê monitorias e ações pedagógicas para as escolas e atividades culturais permanentes como o lançamento de livros e projetos, palestras, atividades literárias, musicais e teatrais, além de exibição de filmes e realização de júris simulados. “Pretendemos abrir pontualmente aos domingos, feriados e horários noturnos”, explica o diretor do MCG, Niltonci Chaves. Segundo Chaves, “o MCG vai organizar exposições mais atrativas ao público e pretende, a médio e longo prazo, inserir os Campos Gerais no circuito de museus e espaços culturais de visitação e memória”.

O MCG será inaugurado sob nova linguagem visual. “As mudanças estruturais e a criação de uma nova marca para o MCG refletem uma virada conceitual que promete o tornar um espaço cultural mais atraente e atuante”, afirma a Pró-reitora de Extensão, Cloris Regina Blanski Grden.

Exposições

Rafael Schoenherr, diretor de acervos, explica que a reabertura está organizada em quatro exposições. A mostra principal “Paraná: a fotografia de Orlando Azevedo” traz imagens do estado captadas pelo fotógrafo português que fixou residência em Curitiba na década de 1960. São aproximadamente 40 fotografias que registram a paisagem natural e cultural do litoral, dos Campos Gerais e Norte Pioneiro. “As fotos permitem inclusive extrapolar tais demarcações, por vezes científicas, por vezes arbitrárias, e projetar amplos espaços de contiguidade e diferenças que fazem o Paraná”, afirma Patricia Camera Varella, diretora de ação educativa.

“Linotipo: a imprensa nos tempos de Hugo Reis” é uma exposição que reúne o acervo do jornalista, referência na imprensa local nas primeiras décadas do século XX. A exposição “Intelectualidades: a trajetória de Wilson Martins” está ambientada no escritório onde o intelectual produziu sua obra mais conhecida, “A História da Inteligência Brasileira”.

A exposição “Salus: Histórias da Saúde” reproduz um consultório odontológico e uma farmácia do início do século XX. Reúne objetos do cotidiano de dentistas, farmacêuticos, médicos e enfermeiros. Documentos do ex-professor Gabriel de Paula Machado, ligado ao curso de Farmácia e Bioquímica da UEPG, falecido em 2017, também integram a mostra. Outro bloco da exposição, organizado a partir do acervo da enfermeira Wanda Aguiar Horta, considerada pioneira na área, será inaugurado em 13 de maio.

O espaço da recepção do Museu foi reformulado e deve abrigar exposições itinerantes de fotos ou artes visuais, com participação de artistas locais e de outros estados. Para tudo isso, houve investimento em iluminação, expositores e mobiliário. A equipe do MCG já trabalha com uma agenda de exposições para o ano, com previsões inclusive para novembro.

O diretor do MCG lembra que a reestruturação aconteceu na sede do antigo “Banestado”, localizada na esquina entre as ruas Engenheiro Schamber e XV de Novembro e que hoje abriga o museu. “O prédio do antigo Fórum de Ponta Grossa, na esquina com Marechal Deodoro, que foi sede do MCG de 1983 a 2003, permanecerá fechado”, alerta. A edificação de 1928, tombada pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural do Paraná em 1990, precisa ser restaurada para que haja condições seguras de visitação. A UEPG disputa um edital do Ministério da Justiça no valor de R$ 11 milhões para restauro do prédio.

Reforma física e mudança conceitual

Com a reforma, a administração e a reserva técnica do Museu passaram para o segundo andar do prédio. Cerca de 13 mil peças, que em parte estavam depositadas no subsolo, foram organizadas em exposições no primeiro piso, que também inclui um local destinado a pesquisadores.

A equipe técnica criou espaços que homenageiam figuras cujas trajetórias se relacionam com a cidade e a região. A sala principal recebeu o nome de Salão Saint-Hilaire, viajante francês que passou pela região na década de 1820 e registrou os Campos Gerais como “Paraíso Terrestre do Brasil”. “A novidade para este salão principal é a rotatividade. Vamos trazer exposições de outros museus, de outras cidades e estados”, afirma o diretor.

Rafael Schoenherr explica que o segundo espaço de exposições está fundamentado mais nas peças e móveis do acervo próprio. “Existem objetos que ajudam a contar a história de profissionais e intelectuais, por exemplo, que constavam no acervo e nunca foram expostos dessa forma”, diz Schoenherr.

O Espaço Cultural Jean Baptiste Debret, que será reaberto até o início de 2020, homenageia outro viajante francês que passou pela região na década de 1820. Debret pintou, em 1827, a primeira paisagem urbana de Ponta Grossa. O salão Debret receberá exposições temporárias, atividades culturais e ações pedagógicas para visitantes de escolas e universidades. Os Arquivos Históricos Hugo Reis reúnem documentos do intelectual carioca que veio para Ponta Grossa e fez história como principal jornalista local nas primeiras décadas do século 20, e que teve grande influência cultural e política na cidade naquele período.

O Auditório Brasil Pinheiro Machado, que passa por reestruturação e será reaberto nos próximos meses, homenageia o escritor, professor, advogado e político que marcou a vida ponta-grossense na primeira metade do século XX. A estrutura do auditório compunha, originalmente, a sala do tribunal do júri do primeiro Fórum de Ponta Grossa e será utilizada para exibição de filmes, documentários e debates.

Doações e parcerias

Desde setembro, o MCG recebeu uma série de doações: documentos de lideranças políticas locais, objetos de diversas naturezas, acervos fotográficos e audiovisuais  que ajudam a contar parte da história local/regional. “Para citar alguns exemplos, recebemos também o acervo do Foto Cine Clube Vila Velha, de Wilson Martins e da família Carvalho, em especial de José Pedro da Silva Carvalho”, conta Chaves.

Cloris Grden destaca as parcerias com a Fundação de Cultura de Ponta Grossa e Casa da Memória Paraná, que têm repassado acervos para digitalização. “Em outra frente, propusemos à Associação dos Municípios dos Campos Gerais, por meio de seu Núcleo de Cultura, a criação de uma entidade que congregue os museus, casas da memória e centros documentais de toda a região”, complementa a pró-reitora. Outra parceria técnica é com o Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina, que resultou na vinda do professor Sérgio Sakakibara, um dos grandes especialistas brasileiros em catalogação, digitalização e conservação de acervos fotográficos.

Memórias Digitais  

O projeto de digitalização de acervos da UEPG existe há 4 anos. A chegada de novos scanners e computadores há três meses, além da organização de uma equipe de digitalização, permitiu um incremento no processo. “A grande contribuição nesse sentido é a democratização do acesso e a preservação analógica da informação”, diz Rafael Schoenherr. Ele complementa que, mais do que simples passagem de suporte físico para o virtual, o processo de digitalização em curso no Museu se pauta na disponibilização de acervos para consulta pública e livre dos documentos por meio da plataforma digital “memoriasdigitais.uepg.br”.

A digitalização permite que documentos possam ser aplicados ao Sistema Optical Caracter Recognition (OCR). Nesse formato, a imagem é lida como texto, o que otimiza o processo de pesquisa. O acervo digitalizado inclui “O Tapejara”, jornal do Centro Cultural Euclides da Cunha; cadernos de fotografia do Foto Bianchi; acervos documentais do professor Gabriel de Paula Machado e do jornalista Hugo Reis. “Digitalizamos os primeiros números do jornal O Progresso – Diário dos Campos (1909-1924)”, destaca o Schoenherr.

Ações educativas

Outra inovação do MCG é a integração de pesquisas de iniciação científica desenvolvidas por professores de diversos cursos da Universidade. “Algumas pesquisas estão centradas em ações de mediação entre a escola e a universidade”, afirma Patricia Camera. “Trabalhamos com a ideia de ‘museu em transformação’, que se entende como ‘em desenvolvimento’ e que portanto precisa ser retrabalhado em suas coleções, exposições e interações com a sociedade”, conclui. Gradativamente, a equipe técnica do Museu espera que o espaço gere pesquisas de iniciação científica, mestrado e doutorado em articulação a exposições. (Com assessoria)

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