Ponta Grossa

Boletim da UEPG mostra crescimento do mercado de trabalho da região

O Núcleo de Economia Regional e Políticas Públicas (Nerepp) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) divulgou nesta quarta-feira (6) um novo boletim sobre o mercado de trabalho nos Campos Gerais. Produzido pela professora doutora Augusta Pelinski Raiher com dados do Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho (PDET), o boletim mostra que a região teve um crescimento superior àquele registrado no Paraná e no Brasil em 2018 quando se observa a criação de vagas de emprego. O documento pode ser acessado na íntegra clicando aqui.

O boletim destaca que no final de 2017, por exemplo, o Brasil tinha cerca de 46 milhões de empregos formais (aqueles com carteira assinada) e entre janeiro e dezembro de 2018 foram criadas cerca de 530 mil novas vagas – esse foi o primeiro saldo positivo na criação de empregos desde 2014. Neste mesmo cenário e período, o Paraná tinha cerca de 3 milhões de empregos formais e criou cerca de 40 mil novas vagas, figurando como o quarto maior estado na geração de empregos no país.

A professora Augusta lembra que os municípios dos Campos Gerais tinham, no final de 2017, cerca de 183 mil empregos e o saldo obtido em 2018 foi igual a 2.780 novos postos de trabalho. “Portanto, esses números indicam uma dinâmica superior para o mercado de trabalho dos Campos Gerais, apresentando uma taxa de crescimento igual a 1,52%, contra 1,33% do Paraná e de 1,14% para o Brasil”, destaca a docente.

Augusta lembra que no que se refere à recuperação do mercado de trabalho dos Campos Gerais frente à crise sofrida em 2016, pode-se se inferir que a região “está progredindo”. “Faltam apenas 2.453 vagas para chegar ao patamar do emprego que se tinha em 2015. E Ponta Grossa foi o município que mais contribuiu para a formação do saldo positivo que se teve em 2018, criando 1393 novas vagas, ficando na quinta posição no ranking estadual, estando a frente de municípios como Paranaguá, Cascavel e Guarapuava”, exemplifica a professora.

O boletim destaca ainda que o município de Jaguariaíva foi o segundo com maior contribuição, gerando 627 novos empregos, ficando em 15º na colocação no ranking estadual, seguido por Castro (posição de 29º no estado), Ortigueira (31º) e Telêmaco Borba (32º). “Ao todo, 68% dos municípios tiveram saldo positivo em 2018, o que é extremamente positivo para região, demonstrando que a maioria está com tendência de crescimento do seu mercado de trabalho”, afirma a professora.

Recuperação regional das vagas de emprego

O documento também apresenta uma análise da recuperação dos municípios dos Campos Gerais diante da crise de 2015. A maioria das cidades (dez municípios) já readquiriu em 2018 o mercado de trabalho que tinha em 2015, e outros três estão num processo de recuperação. “Os únicos municípios que não conseguiram recuperar e tiveram saldos negativos do emprego em 2018, evidenciando um mercado desaquecido, foram Carambeí, Curiúva, Imbaú, Ivaí e Tibagi. Essas cidades necessitam de uma atenção especial, com planejamento estratégico para que consigam retomar o processo de desenvolvimento do emprego local”, explica a professora.

Cidades acima da média

O documento assinado pela professora Augusta também apresenta dados do crescimento do saldo entre 2017 e 2018 em cada município. Neste caso, destaque para Ortigueira com um crescimento de 11,8% e para Jaguariaíva com índice de 7,9%- a professora destaca que boa parte dos municípios da região (onze cidades) ficaram com uma taxa superior à auferida pelo Paraná.

No caso dos municípios que foram destaque está  Ponta Grossa com a criação de 1140 vagas criadas no setor de serviços. “Ressaltando que o segmento de transporte e serviços prestados principalmente às empresas representaram mais da metade de todos empregos criados no setor de serviço e houve ainda a criação de outras 416 vagas na indústria”, lembra a professora.

O documento mostra ainda que em Jaguariaíva houve o estabelecimento  234 novos postos de trabalho na indústria e 164 na construção civil.

Setor responsável pelo crescimento

O setor de serviços foi o principal indutor da abertura de novas vagas (1818) especialmente no segmento de transporte, que foi responsável por 20% das novas vagas, e serviços prestados a empresas (12%), seguido pelo comércio (684) e pela indústria (647), com destaque para a indústria de Fabricação de Celulose, Papel e Produtos de Papel que respondeu por aproximadamente 5% nos novos postos de trabalho, indústria química (4%) e metalurgia (4%).

Municípios com diminuição de empregos

A professora explica que no caso específico dos dois municípios com os piores desempenhos da região em 2018, há aspectos que explicam esse cenário negativo. “Em Piraí do Sul o setor de construção civil teve quebra de 257 vagas e a indústria teve a eliminação de 214 vagas. Já em Carambeí a indústria sofreu com destruição de 251 postos de trabalho, especialmente a indústria de fabricação de alimentos e bebidas, responsável por mais da metade de todo emprego destruído”, conta a docente. (Com assessoria)

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