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Com Complexo Regulador, município zera fila de espera em ortopedia

Um dos grandes problemas dos municípios brasileiros, no que diz respeito a atenção a saúde dos seus usuários, é a questão das especialidades médicas. Apesar da saúde especializada ser de responsabilidade do Estado, as cidades também acabam acumulando alguns serviços nesta área. Em Ponta Grossa, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) implantou o Complexo Regulador em 2018 e ele já trouxe resultado. De acordo com a FMS, hoje, a cidade não tem mais fila de espera na especialidade ortopédica, conseguindo zerar cerca de três mil pacientes que aguardavam atendimento.

Em 2017 constatou-se que 80,8% da fila de espera concentrava-se em seis especialidades médicas, ortopedia, oftalmologia, dermatologia, neurologia, cardiologia e otorrinolaringologia. “Os valores da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) estão congelado há mais de 15 anos e os recursos que são transferidos pelos Estados é insuficiente para que os municípios possam contratar profissionais e serviços para oferecer essas consultas. Nós precisávamos intervir para reduzir esta realidade, para isso foram adotadas algumas estratégias”, explica a presidente da FMS, Angela Pompeu.

Complexo Regulador

No primeiro momento foi necessário fazer um Complexo Regulador, nomeando diversos profissionais médicos e de outras especialidades ligadas a área da saúde, médicos reguladores e assistentes de regulação, junto a isso foram elaborados protocolos clínicos que norteiam os profissionais que atuam na atenção básica, direcionando os pacientes que devem ou não serem encaminhados para as especialidades médicas. Tudo com base nos protocolos clínicos.

“Todos os encaminhamentos feitos pelas UBS para o atendimento especializado passam pelo Complexo Regulador, este avalia a real necessidade daquela solicitação e os critérios de classificação de risco, onde os pacientes que mais precisam são atendidos primeiro, sendo assim a listagem não segue apenas ordem cronológicas, mas também ordem de prioridade clínica”, destaca o secretário adjunto da Secretaria Municipal de Saúde, Robson Xavier.

A partir disso foi possível filtrar os pacientes. “Constatamos que tínhamos muitos pacientes que não precisavam ser encaminhados para um ortopedista. A qualificação, orientação e o treinamento que foi dado para os profissionais da Atenção Básica, os capacitaram a manejar este paciente nas UBS, e os pacientes que tem a necessidade de ir para o especialista ortopédico também passam pelo fisioterapeuta. Muitos ficam nos grupos que são realizados nas UBS, grupos de dor crônica, de lombalgia, por exemplo, esses pacientes ficam na Atenção Básica”, esclarece Robson.

Profissionais

Hoje, 20 profissionais compõe o Complexo Regulador. Com esta equipe a FMS concluiu que o tempo de espera reduziu, pois o indivíduo é atendido por um fisioterapeuta, no máximo, em 10 dias nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), dependendo da gravidade é atendido em menos tempo, e em menos de 15 dias o paciente passa por um profissional de ortopedia. “Acelera o atendimento, diminui o tempo resposta, melhora as condições de vida e saúde, diminui a lista de espera, mais pessoas acessam o serviço e   consequentemente chegamos a satisfação do usuário”, comenta Angela.

Segundo ela também houve a realocação de investimentos em saúde. “Foi pago no primeiro semestre de 2018 cerca de mil consultas ao consorcio, com o valor de R$ 70 cada uma, hoje nós não dependemos mais do consorcio nesta especialidade. Então, esses recursos que foram utilizados na especialidade de ortopedia estão sendo canalizados em outras especialidades”, completa.

Outras filas

Ainda em 2019 a Fundação pretende reduzir significativamente outras filas de especialidades. “Nós estamos trabalhando na fila de endocrinologia com resultados positivos, dermatologia e otorrinolaringologia também, logo pretendemos zerá-las. Isso acontecerá em uma perspectiva multidisciplinar de atendimento continuado na Atenção Primária e não mais na Atenção Especializada. Hoje o município atende 51 especializada de forma própria, consorciada e também referenciada pelo estado”, finaliza Robson. (Com assessoria)

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