Política Ponta Grossa

Entrada de Cida Borghetti no Governo mexe com grupos políticos em Ponta Grossa

A saída de Beto Richa (PSDB) do Governo do Estado para concorrer ao Senado, e a entrada de Cida Borghetti (PP) no comando do Palácio Iguaçu, tendo seu marido, deputado federal Ricardo Barros (PP), na retaguarda, mexeu com o posicionamento de alguns grupos políticos em Ponta Grossa em relação ao governo estadual, e, consequentemente, começam a se definir os alinhamentos com os três principais pré-candidatos a governador: a própria Cida Borghetti, o deputado estadual Ratinho Júnior (PSD) e o ex-senador Osmar Dias (PDT).

Nesta semana, quem abriu diálogo com a governadora foi o deputado federal Aliel Machado, recentemente filiado ao PSB após deixar a Rede. Com um posicionamento de oposição a Beto Richa, Aliel entregou uma carta de reivindicações para a região a Cida. O parlamentar nunca teve proximidade com Ratinho Júnior, que é ligado aos irmãos Marcelo Rangel (PSDB), prefeito, e Sandro Alex (PSD), deputado federal. Entretanto, mantém uma boa relação com Osmar Dias, que, pelo menos a princípio, é o representante dos partidos da esquerda no cenário político estadual, inclusive, com o apoio do senador Roberto Requião (MDB).

Estrategicamente

Agora, Aliel, estrategicamente, se aproxima de Cida. O pensamento pode ser de procurar uma pré-candidatura ao Governo que não esteja ligada a nenhum dos seus principais futuros concorrentes à Câmara Federal em Ponta Grossa: Sandro Alex, muito próximo de Ratinho Júnior, e Marcio Pauliki, que jura fidelidade a Osmar Dias, mesmo depois de sair do PDT. E enquanto as eleições não chegam, o peessebista certamente buscará emplacar ligar seu nome à destinação de recursos do Estado para municípios da região.

Pauliki deixou o PDT para assumir a presidência estadual do Solidariedade. A ideia, segundo ele, é continuar no apoio a Osmar Dias. Porém, permanece na base de apoio ao Governo do Estado, agora com Cida Borghetti à frente. Resta saber o que vai ruir primeiro, a permanência na base ou a fidelidade a Osmar.

Cotado

Em relação ao deputado Sandro Alex, é cotado para ser o coordenador da campanha de Ratinho Júnior, senão no Paraná, ao menos nos Campos Gerais. O deputado é vice-presidente do PSD de Ratinho Júnior. Sandro sempre teve as portas abertas junto a Beto Richa, assim como mantém boa relação política com Cida Borghetti e o manda-chuva do PP, Ricardo Barros. Nesse caso, também é preciso saber até quando o Governo irá manter as portas abertas mesmo sabendo que o caminho do parlamentar está sendo trilhado ao lado de Ratinho Júnior.

O ex-secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes, deixou a pasta para poder ser candidato a deputado estadual. Ao mesmo tempo, saiu do PSDB e se filiou ao PP de Cida e Barros. O pré-candidato também parece ter a simpatia do grupo político liderado por João Barbiero, também recém filiado ao PP. Ou seja, forças políticas antes distantes, se aproximam com a mudança no Palácio Iguaçu.

Outro fato merece ser frisado. O deputado estadual de União da Vitória, Hussein Bakri (PSD), que ‘adotou’ Ponta Grossa dentro da Assembleia Legislativa, teve as portas abertas na cidade pelo prefeito Marcelo Rangel, com apoio do coronel da reserva da PM, João Jorge dos Santos Junior. Ocorre que, neste momento, o irmão de João Jorge, Marcus Vinícius Freitas, procurador-geral do Município, é cotado para ser candidato a deputado estadual. Caso essa disposição para candidatura se confirme, como ficará a situação de Bakri? A conferir!

Consequências

A troca no governo estadual também incidiu na participação política do deputado estadual Plauto Miró (DEM). Companheiro de primeira hora de Beto Richa, Plauto não se sentiu confortável com Cida no comando das ações no Estado. Tanto que quase saiu do DEM, onde está filiado há mais de 30 anos, depois que a direção estadual decidiu manifestar apoio à pré-candidatura de Cida ao Governo nas eleições deste ano. A situação foi apaziguada e Plauto permaneceu no DEM, mas deixou claro que vai apoiar Ratinho Júnior.

Outra ação que representa esse distanciamento de Plauto com o Governo foi o pedido de exoneração de Sheila Mainardes da chefia da Terceira Regional de Saúde e também de Maria Izabel Vieira, da chefia do Núcleo Regional de Educação. Ambas eram indicadas por Plauto. O deputado, que ocupa a 1ª Secretaria da Assembleia, tomou lado, e pagou o preço. Plauto foi na contramão do que se vê no momento no Paraná: grupos políticos antes distantes se aproximando de Cida Borghetti, seja por questão de estratégia política ou de olho nas benesses do Poder.

Por fim, é preciso destacar a posição do prefeito municipal, Marcelo Rangel, diante desta mudança no Governo. Rangel mantém uma relação muito boa com Cida, desde os tempos em que eram colegas de Parlamento na Alep. Sempre republicano e com um bom trato junto às demais lideranças estaduais, Rangel deve manter a Prefeitura alinhada ao Governo. Afinal, tem sido uma parceria que tem rendido ótimos frutos a Ponta Grossa.

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