Política Ponta Grossa

Aliel vota contra ‘fundão’ por discordar do método, mas diz ser favorável ao financiamento público transparente

O deputado federal Aliel Machado (Rede) votou contra a criação do fundo público para financiamento de campanhas na Câmara, o chamado ‘fundã0’. Ele ressalta que é favorável ao financiamento público, mas não dá forma como foi apresentado na reforma política, segundo Aliel, sem transparência e com a distribuição dos recursos ficando nas mãos do que chamou de caciques partidários e donos dos partidos.

Aliel disse esperar que o Senado referende, nesta quinta-feira (05), o que foi colocado no texto infra-constitucional, que limita os gastos de pessoas físicas em campanhas e restringe o financiamento ao próprio dinheiro do candidato. Para ele, a medida é o caminho para baratear as campanhas, para tirar o poder da mão de poucos, e significa um avanço na legislação eleitoral no que tange à questão de financiamento.

‘Fundão’

Sobre o ‘fundão’, Aliel ressalta que é importante destacar que ele foi votado porque o Supremo Tribunal Federal (STF), depois de um pedido da OAB, proibiu o financiamento de empresas para as campanhas. “O que dá pra perceber é que todo o norte da corrupção que vem acontecendo em todo país, em todas as esferas, também nos municípios e nas eleições estaduais, vem da participação das empresas, que compram os políticos e ficam donas dos mandatos para poder ter interferência nas decisões”, argumenta.

“Depois disso não teve outra saída a não ser o financiamento público, que eu sou favorável, porém eu votei contra porque a maneira como foi feito esse ‘fundão’ foi equivocado. Primeiro, não teve transparência, sem ditar regras claras sobre a participação e distribuição dos recursos. Segundo, pelo valor, que também é equivocado pela forma de distribuição, porque levaram em conta a última campanha, para valorizar mais os partidos maiores. Entretanto, a última campanha teve, como todos sabem, muito dinheiro sujo. Então, não poderia ter levado isso em consideração”, disse Aliel.

Outro ponto questionado por Aliel é que não há uma regra específica para a distribuição dos recursos e o dinheiro continua sendo concentrado nos caciques políticos.

“Por tudo isso é que nos da Rede fomos contrários ao fundo. Ele foi um erro. Dinheiro público pra ser aplicado precisa ter muita transparência e nesse caso não teve. Sou favorável ao financiamento porque de algum lugar tem que vir o dinheiro. Se nós limitamos os gastos pessoais, se nós proibimos o financiamento privado, que é correto proibir, o financiamento precisa vir de algum lugar. É importante entender que quem for eleito, irá defender os interesses da população. Por isso não pode ter amarras políticas, nem com empresas, nem com os caciques donos dos partidos”, finaliza.

O ‘fundão’ tem um previsão de R$ 1,7 bilhão para o financiamento das campanhas em 2018.

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