Política

Alep debate situação de imigrantes venezuelanos no Paraná

Reunião da Comissão do Mercosul e Assuntos Internacionais | Foto: Pedro de Oliveira/Alep

A Comissão do Mercosul e Assuntos Internacionais da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) promoveu reunião na manhã desta terça-feira (23) para discutir a situação dos imigrantes venezuelanos no Paraná. Representantes dessa população fizeram relatos sobre a crise política e econômica no País vizinho que, entre outras dificuldades, apresenta elevados índices de criminalidade, alta inflação, problemas graves de abastecimento e grandes taxas de desemprego, fatores que fizeram com que muitos deles deixassem o País.

Somente em Curitiba vivem aproximadamente 500 desses imigrantes. Um grupo de 15 deles, a convite do deputado Evandro Araújo (PSC), veio ao Legislativo para solicitar apoio dos deputados para o atendimento de algumas demandas importantes, como o estabelecimento de parcerias educacionais, a facilitação da validação de diplomas de ensino superior e a inclusão em programas e atividades governamentais.

“A comissão está de portas abertas. Queremos ouvir estas pessoas para saber o que elas precisam. Elas estão no Paraná e tenho certeza que podemos desburocratizar alguns processos, a exemplo da validação de diplomas e do reconhecimento acadêmico”, disse a presidente da Comissão, deputada Maria Victoria (PP).

Escassez

Segundo o relato da advogada Jossie Stefany, a Venezuela está mergulhada em profundos problemas sociais. Faltam alimentos e medicamentos, as pessoas vivem amedrontadas nas suas casas. “Não existe nenhuma qualidade de vida, as pessoas são roubadas ao saírem às ruas; nos hospitais não há remédios, tampouco algodão. As casas são saqueadas. Vivemos assustados lá”.

Para Oscar Mistage Henríquez, que concluiu recentemente o mestrado em Gestão Ambiental pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), há quatro anos morando em Curitiba, muitos conterrâneos estão em busca de novas oportunidades de trabalho e estudo. “Sempre penso em voltar para a Venezuela, por causa da família. Apesar da situação difícil, sempre esperamos que o país supere os seus problemas. Agradeço o apoio dos brasileiros, porque aqui fomos muito bem recebidos. Muitos querem vir para cá pensando em melhores chances de estudar e trabalhar, como foi o meu caso”.

Para o professor de Biologia Omarli Primera, há um ano e meio no Brasil, Curitiba já se mostrou receptiva e por isso mesmo ele pretende ficar na capital paranaense, em busca de um recomeço profissional. “Aquela condição na Venezuela não dava mais para viver. Eu trabalhava numa escola e o governo fechou a escola. Meu desejo é ficar aqui, estudar e poder trabalhar com educação. O Brasil nos acolheu muito bem, estou feliz aqui”.

Apoio

Segundo o deputado Evandro Araújo (PSC), embora os assuntos mais propriamente diplomáticos e institucionais envolvendo outros países estejam entre atribuições do Congresso Nacional, o apoio político da Assembleia Legislativa pode auxiliar no encaminhamento de questões de interesse dos venezuelanos. Uma das propostas, por exemplo, é de abrir o Plenário da Casa para o pronunciamento destas pessoas durante o Grande Expediente da sessão plenária, em data ainda a ser agendada.

“Vi relatos emocionados aqui, de pessoas que não se omitiram, não esqueceram a situação de seu país e suas raízes. Faremos aqui na Casa o trabalho dentro das nossas atribuições. Um alerta para a sociedade sobre a situação na Venezuela”. A dura experiência venezuelana, de acordo com o parlamentar, também deveria servir de alerta ao Brasil, no sentido da preservação da nossa própria democracia. (Fonte: Alep)

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